Page 264 - SSP
P. 264








SIMPÓSIO 3 MESA 3 PALESTRANTE 4


DR CLÁUDIO CABRAL


exigidos para essa bengalinha – fabricada em atraso burocrático impediu que eu tivesse aces­
Taiwan, segundo a etiqueta, e adquirida aqui no so à melhor prótese disponível; mas pelo menos
Brasil por um importador que também é auto­ sei que ela foi muito bem testada e avaliada antes
rizado junto à Anvisa. O importador que trouxe de ser registrada no território brasileiro. Esta é a
esse bastão, que me ajuda a não cair da escada, primeira refexão que eu queria trazer a vocês,
é autorizado pelo órgão regulador e cumpriu al­ antes de começarmos nossa conversa: as exigên­
guns requisitos para obter o cadastro e a autori­ cias existem, mas elas têm uma fundamentação
zação para comercialização. nas leis, como já foi apresentado anteriormente
Eu tive que colocar uma prótese de colo de aqui. A fundação dessas exigências está na Cons­
fêmur; então, atendendo aos requisitos legais, tituição Federal e na Lei Orgânica da Saúde – a
também tenho agora um cartãozinho de porta­ lei 8080/1990, que aborda a proteção à saúde na
dor de prótese – e novamente acho muito bom: disponibilização de medicamentos e dispositi­
essa prótese deve ter uma duração de 20 a 30 vos para a população.
anos, e por um bom tempo irei me sentir seguro A indústria farmacêutica, uma das princi­
graças aos requisitos que foram impostos para pais áreas do Complexo Industrial da Saúde,
o registro desse produto, que pertence à classe vem passando por transformações relevantes
4; afnal, trata ­se de um material que hoje está em âmbito mundial, principalmente nos últi­
mos dez anos. Observa ­se desde
As mudanças qualitativas observadas no então um progressivo esvaziamen­
mercado de produtos para Saúde pode ser to de portfólio de novos produtos
considerado particularmente importante para das principais empresas multina­
cionais, ao mesmo tempo em que
a indústria de biológicos começaram a expirar patentes de

medicamentos muito lucrativos.
dentro do meu corpo, associado ao meu fêmur. Enquanto esse processo de desenvolvimento
Não temos dúvida, portanto, do caminho a ser de novas drogas se torna mais complexo e caro
trilhado; há muita coisa a ser melhorada no nos­ – principalmente pelo processo de disponibili­
so País, do ponto de vista técnico, sanitário e zação de novas tecnologias – intensifcou ­se a
regulatório, mas nós temos que pensar também concentração da indústria farmacêutica mun­
por outro lado. Por isso fz questão de começar dial por meio de fusões; nesse contexto, muitas
essa palestra a partir do enfoque do usuário, empresas buscaram a incorporação de compe­
com um olhar de paciente, e não só de quem está tências em biotecnologia, visando o desenvolvi­
registrando um produto no País. E como usuá­ mento de novos produtos.
rio e paciente fco feliz e seguro em saber que há No contexto do Complexo Industrial
muitas exigências a serem cumpridas. Claro que de Saúde discute ­se a questão das parceiras
tenho medo, por exemplo, de ter colocado uma público ­privadas, ou parcerias de desenvolvi­
prótese de “segundo escalão” porque algum mento produtivo; eu vivo atualmente esta expe­

264
   259   260   261   262   263   264   265   266   267   268   269