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SIMPÓSIO 3 MESA 3 PALESTRANTE 3


DR SÉRGIO MADEIRA


indústria. Um exemplo fantástico disso é que o academia e vice ­versa. Antes de falar sobre essa
primeiro stent coronariano do mundo foi im­ questão eu conversei com professores da uni­
plantado aqui no Brasil, no Instituto Dante Pa­ versidade para sentir como estava o ambiente
zzanese de Cardiologia, pelo professor Eduardo de desenvolvimento tecnológico. E aí a gente
de Souza, nos idos anos de 1986. No ano 2000 foi ouve coisas como, por exemplo: “Israel tem uma
implantado o primeiro stent coronariano com das maiores quantidades de prêmios Nobel por
droga, novamente no Dante Pazzanese, colocan­ metro quadrado.” No Brasil não temos prêmio
do em destaque o ambiente científco e médico Nobel. Nos ambientes dos chamados “países de­
brasileiro e trazendo mais recursos. Dessa época senvolvidos” há uma quantidade de patentes por
para cá, as companhias internacionais têm evi­ estudo clínico ou trabalho, os papers, da ordem
tado fazer pesquisa no Brasil; quem pensa em de 30 ou 40%, ao passo que, no Brasil, menos
fazer um estudo multicêntrico, vai fazê ­lo em de 10% da pesquisa clínica resulta em patentes.
qualquer país da Europa, ou na Ásia, na América Essa, portanto, é uma difculdade que interage
do Norte, e assim vai. Pesquisas clínicas nesses com as questões regulatórias e com a legislação,
ambientes têm aprovação em cerca de dois a mas também tem a ver em como a regulação in­
três meses; se o mesmo protocolo for submetido terage dentro da própria universidade.
aqui no Brasil, o momento já terá passado. Isso Acho interessante lembrar que, nesse esfor­
tem trazido problemas tanto para a indústria ço do Complexo Industrial da Saúde, o Governo
global que faz pesquisa aqui, quanto para as in­ tem criado – através de normas, leis e regulamen­
dústrias que estão no Brasil tentando começar tos – inúmeras instâncias para ajudar empresas
ou investir em inovação tecnológica. Não tem iniciantes, incubadoras, a terem seu produto no
jeito; o sujeito vai investir um dinheiro que ele mercado; e quando passamos por esse ambiente,
não tem e terá que esperar um ano e meio para observamos siglas como Inmetro, Fiocruz, Coni­
ter autorização para pesquisa, depois aguardar tec, Fapesp, CNPq, Finep, Sebrae, ABDI, Cebratec,
o resultado, em seguida fazer o produto, depois Ampei, Amprotec... Nós aprendemos, na Medici­
obter o registro... Esse ambiente está compli­ na, que quando há inúmeros remédios é porque
cando demais o cenário brasileiro. nenhum funciona. Nós temos inúmeras agências,
Outro aspecto que não é da legislação e da escritórios, comissões, comitês de fomento, de fa­
regulação, mas que é importante e que deve­ cilitação, mas possivelmente o que deveríamos ter
mos abordar, é a interação da indústria com a seria um Poupatempo da Ciência e da Indústria...














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