Page 260 - SSP
P. 260








SIMPÓSIO 3 MESA 3 PALESTRANTE 3


DR SÉRGIO MADEIRA


durar, aproximadamente, de um a três anos. En­ nistério da Saúde, dentro da lógica do SUS. Dessa
tão nós estamos falando de um conjunto regula­ forma, se alguém fabrica um produto que é prio­
tório que pode levar uma empresa a emitir a sua ritário, está querendo produzir ou inovar den­
primeira nota fscal somente cinco anos depois tro de uma determinada linha que é prioridade
que alguém teve aquela ideia. Nos dias de hoje, para o Ministério, a Anvisa o tira daquela lista,
onde tudo se renova com muita velocidade, es­ na qual o tempo de espera para obter o registro
pecialmente os produtos médicos, isso pode ser seria de um ou dois anos, e o coloca em uma lis­
a receita certa para o fracasso. ta privilegiada, tendo como objetivo conseguir
Na indústria farmacêutica é um pouco di­ disponibilizar esse produto nacionalmente de
ferente. Nós, até hoje, descobrimos utilidades forma mais rápida. Posteriormente, em 2012,
para o ácido acetilsalicílico, que é de 1910; ve­ dentro dessa mesma estratégia, o Ministério
mos dipirona, acetaminofeno... esses produtos da Saúde buscou parcerias de desenvolvimento
têm estabilidade, não fcam defasados. Produtos produtivo, parcerias público ­privadas, importa­
médicos é que acabam sendo substituídos como ção de tecnologias para fabricá ­las aqui; de qual­
tecnologia depois de três, quatro, cinco anos. Se quer forma, esses produtos têm que ter registro.
for eletrônico, então, isso acontece muito mais A FURP (Fundação para o Remédio Popular),
rapidamente; temos essa experiência com celu­ que é uma indústria farmacêutica pública, tem
lares, computadores. Na Medicina isso é seme­ neste momento uma parceria para produzir tec­
lhante. Portanto, essas estruturas regulatórias e nologia de multinacionais muito conhecidas,
de legislação são um tremendo obstáculo para o nacionalizando produtos; ela tem, por exemplo,
novo; mesmo para quem já está no mercado, de­ uma parceria com a Johnson & Johnson para
senvolver um novo produto constitui uma gran­ produzir grampeadores cirúrgicos, com o pro­
de difculdade. Dentro dessa concepção do Com­ cesso em plena marcha. A FURP tem também
plexo Industrial da Saúde, é importante lembrar uma parceria com a Meditronic, que é um gigan­


Nós, até hoje, descobrimos utilidades para o ácido acetilsalicílico,

que é de 1910; vemos dipirona, acetaminofeno...
esses produtos têm estabilidade, não fcam defasados


que, nos últimos tempos, o Governo vem ten­ te da indústria global tanto quanto a Johnson,
tando desenvolver um conjunto de ações para para produzir marca ­passos. Imaginem a FURP,
facilitar a vida de quem produz ou quer produzir tradicional produtora de fármacos, produzindo
produtos médicos; em 2010, a Anvisa editou uma marca ­passo... Claro, é outra unidade industrial
resolução, chamada RDC 3, que prioriza a análi­ que, em determinado momento, irá se concen­
se de registro de produto para Saúde de acordo trar provavelmente mais na montagem. Esse
com aquilo que é demanda e prioridade do Mi­ processo, porém, é importante porque, mesmo

260
   255   256   257   258   259   260   261   262   263   264   265