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SIMPÓSIO 3 MESA 3 PALESTRANTE 1
DR DAGOBERTO BRANDÃO
vogado ganha lá o seu dinheiro, a União tem que portante é a audiência técnica, na minha opi
importar, pagar, e aí há um consumo de tempo, nião: nós precisamos conversar, entender um
de dinheiro, de espaço, porque o Brasil atrasou ao outro, porque isso representa um ganho para
se em registrar – enquanto isso, o produto está todos os envolvidos; e ter audiência técnica não
no resto do mundo. Vamos aproximar isso, agili é tão difícil, é só contar com as pessoas – pode
zar o máximo possível; vamos esquecer a ques ser até via teleconferência. Recentemente hou
tão econômica e pensar no paciente! ve uma consulta pública, e já percebo aqui algu
Muito antes da Anvisa, o órgão regulador mas questões ilegais. Diz aqui, por exemplo: se o
era a Secretaria de Vigilância Sanitária, depois produto for nacional não pode ser aprovado em
substituído pelo Serviço Nacional de Fiscaliza 90 dias; se for internacional, pode. O que é isso?
ção da Medicina. O interessante – e vou dizer Não tem isonomia? Por que o nacional é pior
isso porque trata se de uma experiência minha; que o internacional? Em que lugar do mundo
eu conheci todos eles, comecei em 1963, então tem isso? Só no Brasil. Você vai à França e todo
são 51 anos – é que as exigências do poder pú mundo cuida do queijo, na Suíça todos zelam
blico, relativas à questão regulatória, pulam de pelo chocolate. No Brasil, não; é nacional, não
um lado para o outro a cada momento. E em re presta, e aí está o exemplo. Nós não podemos
lação a elas, posso defnir três diferentes tipos: mais deixar isso acontecer.
um terço das exigências está totalmente certa, Pesquisa é isso. Pesquisa é uma joia, perma
porque o processo é mal instruído pelo setor nece eternamente; vi isso de perto – daqui a 200
regulado; tem processo ruim, dossiê ruim, com anos vão falar da Cordia verbenacea; é arte para
falta de documentos... Outro terço refere se aos sempre. Vejam bem quem faz pesquisa no mun
técnicos solicitando esclarecimentos – parece do: Estados Unidos e Europa. O Brasil está bem?
que eles têm medo de decidir; então dizem que Está melhor que a América Latina em geral, mas
precisam saber disso, saber daquilo... Muitas se compararmos o Brasil com a Argentina a di
vezes a exigência é simplesmente esclarecer, ferença é signifcativa; não deveria ser assim, o
explicar melhor; e fnalmente há casos onde as Brasil devia ser muito mais que a Argentina.
exigências não são nada pertinentes, porque Mas por quê? A Argentina foi esperta, agilizando
simplesmente são a respeito de documentos a aprovação. Comparemos: na imensa maioria
que já estão lá! Você diz: “Eu já coloquei aí”. dos casos, são três ou quatro meses para apro
“Não estou vendo, tem que mandar de novo”. E vação de um produto na Argentina e no México,
aí segue a história... por exemplo; no Brasil, são de dez a 14 meses.
Outro exemplo da difculdade que temos Somos o país mais lento do mundo, e assim va
com a Anvisa: recentemente eu pedi uma au mos perdendo a competição.
diência técnica, e após alguns dias chegou a res Conclusão e recomendações: pela minha
posta: recusada. Assim: pediu, recusou, acabou; experiência, acredito que temos que incremen
não houve nenhuma explicação, então vou ter tar o procedimento da audiência técnica. Toda
que pedir de novo. Creio que o ponto mais im vez que eu vou lá e converso, eles me escutam e
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