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SIMPÓSIO 2 MESA 4 PALESTRANTE 2
PROF DR MÁRIO SCHEFFER
Temos algumas evidências já produzidas. sido apontada em várias pesquisas de opinião
Primeiro as evidências nacionais: é sabido que a como um dos maiores problema da Saúde no
distribuição dos médicos no Brasil é assimétrica. Brasil. Talvez aqui a questão esteja relacionada
É uma distribuição irregular do ponto de vista à percepção da população; a falta de médicos
geográfco, mas também entre os setores público tem sido identifcada como a falta de assistência
e privado. É incontestável a escassez de médicos em Saúde em geral. O fato é que a Saúde aparece
em diversas localidades – no interior, nos peque‑ como o principal problema do País. E quando se
nos municípios – mas, também nas periferias dos pergunta qual é o maior problema, a falta de mé‑
grandes centros. Os médicos ocupam a liderança dicos é relevante. Temos muitas perguntas sem
em vários indicadores de trabalho, entre eles, a respostas. Talvez hoje esse seja um problema
alta taxa de ocupação e os maiores rendimentos que tenhamos que resolver na Academia: não
dentre todas as profssões. Claro que para essa existe modelo teórico ou científco unanime‑
análise devem ser considerados: a multiplicidade mente aceito para prever a necessidade de mé‑
de empregos (os médicos têm três vínculos, em dicos, em geral, e de especialistas. Não sabemos,
média); a carga horária excessiva de trabalho (tra‑ de fato, quantos médicos nem quantos especia‑
balham 52 horas semanais, em média); os fatores listas são necessários; acredito que isso aconte‑
que difcultam a fxação e a atração dos médicos; ça na Enfermagem também.
a alta rotatividade, principalmente na atenção Ainda dentro dos nossos estudos na demo‑
primária em Saúde (hoje, o médico permanece grafa, vou falar um pouco do que considero que
na atenção primária do Sistema Único de Saúde sejam os três grandes níveis de desigualdade
– SUS, dois anos, em média), e as muitas difculda‑ existentes hoje na distribuição de médicos. A
des de contratação de médicos especialistas. primeira, que é muito conhecida, é a desigual‑
Essas pesquisas foram feitas pelo Núcleo dade geográfca. A segunda é a distribuição ir‑
de Educação em Saúde Coletiva, da Univer‑ regular entre especialidades: é importante per‑
sidade Federal de Minas Gerais (NESCON – ceber como esta distribuição irregular impacta
UFMG), pela equipe do Prof. Sábado Girardi. no sistema de saúde. E a terceira é a distribuição
Na percepção dos gestores, há uma grande dif‑ de médicos entre os sistemas público e o priva‑
culdade de contratar, o que muitas vezes é con‑ do. Os médicos nunca foram tão numerosos; em
fundido com falta de médicos. Pode ser a falta 2014, chegamos a 400 mil médicos; temos mais
mesmo, mas há uma difculdade de contratação. de dois médicos por mil habitantes. De 1970 até
E tem crescido o número de postos de trabalho hoje a população de médicos cresceu mais de
de médicos. Isso tem a ver com um crescimento 570%, enquanto a população em geral cresceu
do mercado de planos de saúde (que cresce cer‑ 100%. Esse aumento expressivo é resultado da
ca de 10% ao ano) e com a presença do Estado. abertura de novos cursos e vagas. Hoje temos
O SUS, com todas as suas difculdades, nesses 25 229 cursos de Medicina que oferecem 20 mil va‑
anos tem ampliado, cada vez mais, o acesso e a gas. Dos 229 cursos existentes, 113 deles foram
quantidade de serviços. A falta de médicos tem abertos nos últimos 14 anos, desde 2000. Certa‑
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