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SIMPÓSIO 2 MESA 4 PALESTRANTE 1


PROFA DRA ANA LUIZA STIEBLER VIEIRA


estão dispostos a se arriscar nesse tipo de tra‑ Penso que no Conselho Nacional de Saúde
balho no exterior. Sabe ‑se, por exemplo, que o (CNS), especifcamente na Comissão Interse‑
Reino Unido montou cursos na África com o ob‑ torial de Recursos Humanos (CIRH) deva ser
jetivo de levar todo o montante dos egressos, as incluída a análise dos cursos de graduação em
enfermeiras, para ser força de trabalho. Enfermagem. A CIRH avalia, por exemplo, se
Acontece muita coisa nessa área em relação um curso de Medicina era absolutamente neces‑
ao médico e em relação ao enfermeiro. Hoje te‑ sário e/ou se tinha capacidade de ser aberto em
mos a questão dos médicos cubanos. Na Enfer‑ determinado local; trabalha com indicadores
magem isso ainda não ocorre. Acredito que essa sobre oferta de cursos, oferta de estágio, consi‑
tendência terá prosseguimento porque temos derando as outras profssões naquele determi‑
uma política governamental com o claro objeti‑ nado local. Considera a relação entre o número
vo de dar maior acesso da população ao Ensino de pacientes e o número de alunos (relação pa‑
Superior. A precariedade regulatória da Enfer‑ ciente x aluno), para que em um hospital não
magem, no tocante ao dimensionamento de re‑ haja até mais alunos do que pacientes. Trabalha,
cursos humanos, é um ponto bastante frágil para também, com vários indicadores de qualidade
o aproveitamento dessa força de trabalho. Falta para a avaliação dos cursos.
planejamento para a formação e o suprimento Outro ponto importante é a necessidade de
desses recursos humanos. Esse planejamento incremento da especialização dos enfermeiros.
deve se pautar nas necessidades sociais, cultu‑ As instituições de saúde especializadas deman‑
rais, econômicas, sanitárias, epidemiológicas da dam enfermeiros especialistas e as vagas não são
população brasileira, como o SUS preconiza. As preenchidas. Esses cursos acabam sendo ofere‑
entidades de Enfermagem devem atuar para que cidos por algumas instituições privadas, com
essas regulações se efetivem. Devem trabalhar mensalidades altíssimas que nem os enfermei‑
na defnição da assistência de enfermagem que ros, nem os técnicos e muito menos os auxiliares
se quer no País e com quais recursos humanos, e podem pagar com os salários que recebem. Na
para isso estudos acadêmicos são necessários. O pesquisa sobre o perfl da Enfermagem que está
critério do número de enfermeiros para deter‑ sendo desenvolvida, detectamos o pagamento
minada quantidade de leitos não é sufciente. O de salários menores do que o salário mínimo
País tem as suas necessidades; o hospital tem as – alguns chegam a ser de R$ 200. Terminamos
suas necessidades. O processo de trabalho tem reforçando a premente necessidade de refna‑
que ser baseado na realidade de cada lugar. Tudo mento dos indicadores de avaliação dos cursos
isso é muito trabalhoso; não é um indicador bru‑ que conduzem os futuros enfermeiros, técnicos
to, mas um indicador real. e auxiliares aos serviços de Saúde.








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