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SIMPÓSIO 2 MESA 4 PALESTRANTE 2


PROF DR MÁRIO SCHEFFER


mente esse aumento de vagas vai ter um impacto número de novos registros de médicos. Esse não
muito grande; até 2020, estaremos bem próxi‑ é um fenômeno brasileiro.
mos de 500 mil médicos, que é a meta anunciada Pela nossa projeção, em 2025 mais ou me‑
pelo Governo. Se congelarmos hoje a abertura de nos, a Medicina será uma profssão predominan‑
escolas médicas, já teremos alcançado a meta. temente feminina. Embora a maior parte dos
Entretanto, esse crescimento não benef‑ novos registros seja de mulheres, por enquanto
ciou, de forma homogênea, toda a população. na Medicina a predominância ainda é masculi‑
Penso que vamos precisar de um maior número na. Esse fato tem efeitos no sistema de saúde e
de médicos, mas vamos precisar, principalmen‑ é algo que temos que acompanhar e investigar.
te, de médicos com novos perfs para atender às Alguns países que já passaram pelo processo de
maiores necessidades em saúde e às mudanças feminilização da Medicina têm discutido muito
epidemiológicas e demográfcas (envelhecimen‑ essas características das mulheres, e já contam
to da população e aumento das doenças crôni‑ com farta literatura a respeito: por exemplo,
cas). Na medida em que se ampliam os direitos, elas trabalham um número menor de horas se‑
que se expande o sistema de saúde, certamente manais; fazem menos plantões, e dividem ‑se
precisaremos de maior força de trabalho dos melhor entre a vida pessoal e a vida profssional.
médicos – talvez não com as características e Alguns países consideram ter havido uma dimi‑
com o perfl de formação atual. nuição da força de trabalho global de médicos,
Desde 2000 temos tido uma entrada de mas vários outros estudos apontam característi‑
médicos (novos registros) maior do que a saída cas positivas dessa mudança, principalmente se
(por inatividade, aposentadoria ou óbito). Com tivermos em mente um sistema de saúde basea‑
a abertura em massa de novos cursos teremos do na atenção primária. Os números apontam
uma entrada ainda maior; aquela boca do jacaré que as mulheres médicas se ocupam mais de
vai abrir e teremos, em breve, quando chegar‑ especialidades básicas; isso pode ser um trunfo,
mos em 2020, cerca de meio milhão de médicos; um benefício também para o sistema de saúde.
teremos um contingente cada vez maior de mé‑ Falamos dos dados gerais, desse primeiro
dicos e um país de médicos jovens. Se comparar‑ nível de desigualdade geográfca. Vou ser bem
mos com a população médica de outros países, rápido nesse ponto: todos sabem que hoje te‑
o nosso médico é jovem, com idade média de 46 mos várias formas possíveis de contar o número
anos. Mas 40% deles têm menos de 40 anos e, de médicos no Brasil. O nosso estudo prioriza a
como o restante da população, terão um maior contagem através dos Conselhos Regionais de
ciclo de vida profssional. Assim, teremos um Medicina. Diferentemente da Enfermagem, na
estoque expressivo de médicos – que, de novo, Medicina não há desemprego. Esse é um dado
não sabemos se será ou não sufciente. E, ainda, compulsório: o egresso imediatamente se regis‑
temos uma participação cada vez mais feminina tra no Conselho que é, então, o banco principal.
nesse contingente. Desde 2009 – e isso é irre‑ Mas usamos também outros bancos de dados,
versível – as mulheres superam os homens em como o que indica quantos médicos têm cartei‑

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