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SIMPÓSIO 2 MESA 4 PALESTRANTE 2


PROF DR MÁRIO SCHEFFER


a cidade onde ele se graduou e a cidade do seu de em relação ao total de registros que aquele
registro (onde atua no momento) vemos que o Estado já teve, temos mais cancelamentos, mais
local de graduação não é o fator mais determi‑ transferências e maior fuga. Então é possível ver
nante de fxação. Há uma discussão de que a quais são aqueles locais mais expulsivos, onde os
interiorização dos cursos de Medicina retém médicos migram mais. Desse modo, os grandes
médicos nos lugares onde estão instalados. Em centros são muito mais atrativos para os médicos
dezembro de 2013, uma portaria interminis‑ do que as cidades onde eles se formaram ou onde
terial aprovou e habilitou mais 49 municípios, eles nasceram. Portanto a escola médica, sozinha,
que não são capitais, para a abertura de novos não é capaz de determinar a fxação do médico.
cursos de Medicina. Através do estudo de três As cidades onde as escolas estão instaladas
coortes de médicos (movimento migratório em funcionam como repúblicas de estudantes que
três períodos distintos – décadas de 1980, 1990 e saem dos grandes centros, lá estudam e para os
2000), mostramos que não houve nenhuma di‑ grandes centros retornam. A migração tempo‑
ferença entre uma década e outra. O fato é que rária é boa, produz benefícios; por exemplo, o
os médicos continuam indo para os mesmos graduado sai para fazer Residência e volta, agre‑
lugares. Se pegássemos dois grandes grupos, gando valor para o médico e para o sistema de
por exemplo – e estou juntando as três coor‑ saúde. Entretanto, no Brasil a nossa migração é
tes porque elas são absolutamente idênticas – permanente; é uma transferência líquida de capi‑
perceberíamos que o grupo daqueles que se tal humano de um lugar para outro, o que enfra‑
graduaram num local diferente daquele onde quece a capacidade dos nossos sistemas de saúde
nasceram se acomodou nos grandes centros. A locais. Não é possível considerar os médicos iso‑
graduação até pode ser feita num local diferen‑ ladamente. A distribuição dos médicos no Brasil
te, mas um terço daqueles que retornam – quem está na Figura 2; cada ponto representa 15 médi‑
volta pra casa, digamos assim – voltam para São cos. Usei os dados da Assistência Multidisciplinar
Paulo e Rio de Janeiro. Mesmo aqueles estudan‑ de Saúde (AMS), que é a pesquisa de assistência
tes que não conseguem passar nos vestibulares médica sanitária do IBGE. Esses dados trazem
nesses Estados, ou a prestação do curso preten‑ os quantitativos de médicos, enfermeiros e den‑
dido é muito cara, vão para o interior, mas vol‑ tistas. Os comportamentos são muito parecidos;
tam depois de graduados. Se pegarmos o grupo onde falta um, falta outro; onde há alta concen‑
daqueles que se graduaram no local onde nasce‑ tração de um, há grande concentração do outro.
ram, percebemos o seguinte: quem nasceu em Aqui temos o quadro dos estabelecimentos de
um grande centro, nele estuda e nele fca. saúde em geral (Figura 3). Se pegarmos também
Fizemos, também, um estudo do cancela‑ as Unidades Básicas de Saúde (UBS), os hospitais
mento de registros que reforça a tese anterior. gerais, os hospitais especializados, vemos obvia‑
Quando o médico muda de um Estado para outro, mente que os médicos precisam trabalhar nesses
ele tem que cancelar o seu registro. Quando a por‑ estabelecimentos de saúde. Quero dizer com isso
centagem de médicos em atividade é muito gran‑ que estar ou não em determinado lugar não de‑

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