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SIMPÓSIO 2 MESA 4 PALESTRANTE 2
PROF DR MÁRIO SCHEFFER
ra assinada, do Ministério do Trabalho. Usamos médicos do País, mas também tem desigualdades
também o Cadastro Nacional de Estabelecimen‑ internas importantes na distribuição dos médi‑
tos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde; o cos. Se tomarmos por Departamentos Regionais
banco do Instituto Brasileiro de Geografa e Esta‑ (DRS), a região de Ribeirão Preto, por exemplo,
tística (IBGE), tentando extrair desses bancos o tem quatro vezes, ou 4,2 vezes, mais médicos do
que há de melhor. Todavia, como a Dra. Ana Luiza que a região de Registro. Portanto, é importante
falou a respeito da Enfermagem, também temos saber que, mesmo em regiões e em Estados com
muitas limitações na apuração dos dados da Me‑ alta concentração de médicos, temos vazios as‑
dicina. Temos que recorrer às fontes primárias sistenciais e falta de médico. Aqui é o ranking da
e fazer inquéritos na busca de informações que cidade de São Paulo, mas, mesmo se olharmos as
esses bancos não dão. Então, fazemos a razão cidades com grande concentração médico/ha‑
médico/habitante para verifcar a distribuição bitante como Botucatu, Santos e Ribeirão Preto,
geográfca. Esse parâmetro é padronizado, muito sabemos que faltarão médicos nas periferias, nas
utilizado no mundo, mas tem limitações. Contar estruturas públicas existentes nesses locais.
os médicos por cabeça, numa profssão tão hete‑ Vê ‑se que a questão é muito mais complexa.
rogênea, com tantas especialidades, com fatores Não se trata de uma falta generalizada; mesmo
diversos de produtividade e de inserção, não pos‑ onde há muitos médicos – e o Brasil, como um
sibilita que se tenha a exata dimensão da realida‑ todo, tem muitos médicos – faltarão profssionais.
de. Nisso somos muito parecidos com a Enfer‑ Trouxe aqui os dados do Estado de São Paulo, da
magem. A região Sudeste, por exemplo, tem uma década de 1960 até hoje. Cada pontinho verme‑
taxa médico/habitante bastante expressiva se lho representa um médico. Vejam que, apesar de
compararmos, inclusive, com a média europeia. ter havido um aumento quantitativo de médicos
A região Sudeste tem a taxa europeia, que é o que ao longo das décadas de 1970, 1980, 1990, 2000 e
o Governo Federal persegue. A propósito, o Go‑ 2010, de fato eles se concentram nos mesmos lo‑
verno Federal faz uma simples regra de três para cais. Por isso a abertura desenfreada de escolas
defnir o número de médicos necessário no Bra‑ médicas não resolve esse problema; hoje já esta‑
sil. Ele toma a média de 2,5, ou 2,6 médicos por mos jogando mais de 20 mil médicos por ano no
habitante – que é a média europeia – faz uma re‑ mercado. Se não houver mudanças estruturais, se
gra de três e diz que precisamos de oito mil vagas não houver discussão sobre o que, de fato, leva à
a mais para chegar a esse contingente necessário. fxação, à migração e à retenção de profssionais,
Algumas capitais, como Vitória (ES), por exem‑ continuaremos tendo médicos nos mesmos luga‑
plo, têm 17 médicos por mil habitantes, que é um res onde hoje eles já estão.
índice muito superior a qualquer país do mundo; No exemplo de São Paulo vemos os mes‑
por outro lado, há Estados e capitais que apresen‑ mos vazios que já existiam na década de 1960,
tam índices africanos de concentração médica. apesar de hoje existir uma concentração maior.
Trago aqui o exemplo de São Paulo porque Quando estudamos a migração médica, toman‑
é o Estado mais rico da Federação; tem 30% dos do por base a cidade de nascimento do médico,
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