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SIMPÓSIO 2 MESA 4 PALESTRANTE 2


PROF DR MÁRIO SCHEFFER


fase de atualização dos dados. Concluímos, tam‑ Hoje, a profssão médica no Brasil, como em
bém, um inquérito nacional que tinha por objeti‑ todos os países, tem uma representação clara e
vo colher informações sobre o mercado de traba‑ um status bem defnido: é uma profssão com
lho dos médicos. A ideia é a de que esse seja um uma valorização, uma credibilidade social mui‑
projeto de caráter permanente. Recentemente to grande.
iniciamos a implantação de um observatório na‑ Há uma percepção relativamente homogê‑
cional da profssão médica, no qual pretendemos nea dentro das características das atividades da
dar sequência a vários estudos. profssão, que é a de formação longa, exigente e
Todo esse conhecimento tem sido produzido especializada. No Brasil ela tem ainda uma ca‑
no meio de um intenso debate sobre a adoção de racterística: é uma profssão fortemente contro‑
políticas que visam dar resposta às questões da lada por pares. Estou me referindo às instâncias
escassez, da oferta e da fxação de médicos. É um de autorregulação, aos Conselhos Regionais de
problema que mobiliza pessoas, instituições com Medicina (CRMs), mas também às demais enti‑
interesses políticos e vocalização política e que dades representativas. Tais entidades têm o seu
reúne pontos de vista muito distintos. Por isso, código de ética, infuenciam as regras de acesso,
penso que é fundamental o papel da universidade. o conteúdo do ensino médico, etc. Creio que há
A Academia deve buscar alcançar consenso sobre uma novidade em curso: uma tendência de forte
alguns indicadores que propiciem uma base em‑ regulação estatal e de indução de políticas que,
pírica comum para o debate. A demografa médica cada vez mais, vão interferir na confguração da
gera cenários e identifca algumas confgurações profssão médica. Essa regulação externa, cada
emergentes. Não podemos deixar de mencionar a vez mais vigorosa, tem sido motivo de tensão.
atual política que instituiu o Programa Mais Mé‑ Os fos estão desencapados; por isso, o ambiente
dicos, cujo propósito imediato é diminuir a carên‑ de tensão precisa, a meu ver, ser resolvido. Não
cia de médicos em regiões desassistidas. Pela ve‑ é possível regular a profssão dessa maneira,
locidade, amplitude e magnitude do que tem sido sem a participação da categoria médica. Porém,
implementado, entendo que essa política tenha também, não cabe unicamente à classe médica
um potencial de mudança, talvez em médio pra‑ defnir os rumos de uma profssão tão essencial
zo, da fsionomia, senão da profssão, do mercado e relevante para o sistema de saúde. Portanto, o
de trabalho médico. Estou me referindo não só à exercício da Medicina no Brasil tem sido cada
presença de médicos estrangeiros intercambis‑ vez mais controlado pelo Estado e pelo merca‑
tas, mas à expansão massiva de cursos de Medici‑ do, mas também está sujeito ao funcionamento
na, que foi anunciada e que já está em andamento. e à organização do sistema de saúde. É claro que
Refro ‑me, ainda, às novas diretrizes para forma‑ a formação do médico, a autonomia e as escolhas
ção médica voltadas à atenção primária. Dado pessoais ainda têm um papel importante. No
esse contexto, está demonstrada a relevância de entanto, os médicos dependem cada vez mais de
alcançarmos novos conhecimentos e efetivarmos empregadores, de instituições e de intermedia‑
uma produção científca nessa área. dores do seu trabalho.

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