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SIMPÓSIO 2 MESA 4 PALESTRANTE 1


PROFA DRA ANA LUIZA STIEBLER VIEIRA


dos índios, onde há enfermeiros, técnicos etc. poucos estrangeiros; os poucos que atuam em
Percorremos todos os Estados brasileiros, em Enfermagem no país são, principalmente, pe‑
quase dois anos de coleta de dados. Estivemos ruanos, portugueses e chilenos, que imigraram
em todos os cantos. Um questionário bastante há muitas décadas; muitos já estão aposentados
grande foi construído com o auxílio das enti‑ agora. Isto quer dizer que não é um fenômeno de
dades de Enfermagem, contemplando infor‑ imigração atual; são enfermeiras que imigraram
mações muito importantes a respeito de todos na década de 1960, e já têm mais idade.
os aspectos da enfermagem (social, político, Mas há alguns movimentos bastante impor‑
demográfco, do mercado de trabalho). Enfm, tantes. Fiz esse estudo a pedido da Silvina Mal‑
fnalmente teremos um perfl real da Enfer‑ varez, que estava na Organização Panamericana
magem no Brasil. Estamos agora na fase de di‑ da Saúde (OPAS). Como era difícil apurar, por
gitação dos dados desses 40 mil questionários. falta de dados, quantos enfermeiros, técnicos
Depois passaremos para a tabulação e análise. e auxiliares saíram do Brasil para trabalhar em
A entrega do produto fnal da pesquisa ocorrerá outro país, ela propôs a metodologia segundo a
em novembro, com a publicação do resultado de qual cada país informava que tipo de profssio‑
cada Estado brasileiro e uma publicação do Bra‑ nais recebeu, qual é a origem deles e onde estão
sil como um todo. localizados. Dessa forma, conseguimos enxer‑
Outro ponto é o da migração, que não é im‑ gar a América do Sul e o Caribe. Detectamos um
portante aqui no Brasil. Fiz minha tese de douto‑ movimento de peruanas pela América do Sul; de
rado na perspectiva da migração dos enfermei‑ enfermeiras uruguaias que se dirigem, substan‑
ros nos países do Mercosul, com alicerce teórico cialmente, para a Suíça; diagnosticamos proble‑
sobre fatores de atração e expulsão de recursos mas com os países receptores como o Canadá, os
humanos qualifcados. Defendi que o Mercosul Estados Unidos, a Itália e a Suíça. Alguns desses
não teria importância nenhuma para a circula‑ países (como os Estados Unidos e a Itália) têm
ção de enfermeiros, de técnicos e de auxiliares de programas específcos: eles vêm aos consulados
enfermagem. Isso foi comprovado alguns anos no Brasil, às escolas de Enfermagem, aos con‑
depois. Em 2005, fui ao Conselho Federal de gressos, com o intuito de captar pessoas nesses
Enfermagem (CFE) e apurei que, entre todos os lugares e nesses eventos. Presenciei isso num
trabalhadores inscritos (enfermeiros, técnicos congresso e no consulado da Itália. Foram apre‑
e auxiliares), havia apenas 171 imigrantes que já sentadas propostas indecentes ao alunado, de
eram profssionais, enfermeiros e técnicos, no um trabalho praticamente escravo. O cenário é o
seu país de origem (imigrantes profssionais); seguinte: o profssional vai, trabalha, paga a sua
outros 342 não eram profssionais de enferma‑ comida e o seu leito; paga a prova de profciên‑
gem no seu país de origem e, portanto, fzeram cia e o curso da língua, enfm, a sua dívida nunca
a sua formação aqui no Brasil (imigrantes para pode ser quitada. Os profssionais de Enferma‑
profssionalização). Na pesquisa que estamos gem no Brasil, mesmo sendo subempregados,
conduzindo, já podemos observar que há muito multiempregados e solteiros (quase 50%), não

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