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SIMPÓSIO 2 MESA 4 PALESTRANTE 1


PROFA DRA ANA LUIZA STIEBLER VIEIRA


rede privada. Apesar disso, se fzermos a relação duação e a formação de técnicos e auxiliares de
entre o aproveitamento de vagas ofertadas no enfermagem em cursos à distância. Está publi‑
setor privado e no setor público, veremos que o cado no site do INEP: até o ano passado, tínha‑
aproveitamento das vagas é maior no setor pú‑ mos 20 cursos à distância, metade deles aqui
blico; no setor privado a ociosidade de vagas é de São Paulo. Na graduação em Enfermagem o
maior (não sai da faculdade o número de egres‑ mesmo fenômeno acontece: até o ano passado
sos esperado). tínhamos quatro cursos à distância – dois do
Em 2012, foi instituído um novo programa Rio de Janeiro, um de São Paulo e outro de Mato
governamental, o PROIES (Programa de Estí‑ Grosso do Sul. Não sei como isso se dá; acho bas‑
mulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das tante temeroso que o trabalho dos profssionais
Instituições de Ensino Superior), pelo qual o se baseie apenas em exposições teóricas. A En‑
Governo Federal perdoa 90% das dívidas tribu‑ fermagem é um trabalho artesanal, assim como
tárias federais das instituições privadas de en‑ o trabalho do médico. Como é possível que es‑
sino em troca de bolsas para a ocupação dessas sas profssões sejam ensinadas à distância? Esse
vagas ociosas. Isto porque as instituições priva‑ crescimento enorme de escolas, por si só, já re‑
das de ensino estavam ruindo; já não estavam sulta na queda da qualidade dos cursos; já estão
mais lucrando o quanto esperavam com essa saindo desses cursos egressos com formação de
enorme oferta de cursos. Em relação aos téc‑ baixa qualidade. Imaginem o que acontece nos
nicos e auxiliares de enfermagem, temos tam‑ cursos à distância.
bém outra dimensão muito grande. Se, por um A qualifcação dentro das escolas de enfer‑
lado, temos hoje no Brasil perto de mil cursos magem é uma questão muito séria que temos
de Enfermagem, para técnicos e auxiliares de que enfrentar. Mas a política é muito clara no
Enfermagem temos cerca de 3,3 mil cursos de sentido de que todos tenham acesso à gradua‑
formação. Mas esses números têm uma varia‑ ção. Na Enfermagem, a graduação é, vamos dizer
ção muito grande. Muitos cursos são abertos, assim, uma espécie de ascensão social. Hoje em
mas também muitos são fechados. No portal dia vemos muitos técnicos e auxiliares de enfer‑
do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas magem fazendo curso de graduação nas institui‑
Educacionais Anísio Teixeira (INEP) é possível ções privadas, logicamente porque elas oferecem
localizar, com precisão, a situação desses cursos cursos noturnos, compatíveis com a jornada de
e em que Estado estão. Da mesma forma que trabalho desses profssionais. Então, temos ago‑
a graduação em Enfermagem, esses cursos se ra recursos humanos que vêm se qualifcando.
concentram na região Sudeste e tiveram o mes‑ Antes, na década de 1970, a confguração da for‑
mo ritmo alucinante de crescimento. ça de trabalho nas instituições de Saúde, princi‑
Há um fenômeno bastante triste, no meu palmente aqui em São Paulo, era muito clara: a
ponto de vista, e acredito que nenhuma enfer‑ grande maioria dos profssionais era de médicos
meira, nenhum médico, nenhum profssional e atendentes de enfermagem. Hoje, em São Pau‑
da Saúde vai discordar: o quão absurda é a gra‑ lo, em número maior nas instituições de Saúde,

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