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SIMPÓSIO 2 MESA 3 PALESTRANTE 3
DR FÉLIX RIGOLI
pessoas estão acostumadas a pedir feedback. Se produz um resultado positivo, pelo menos nas
fzéssemos esse trabalho nas 35 mil equipes de seguintes áreas: cultura nos departamentos de
Saúde da Família seguramente encontraríamos emergências; satisfação do paciente; compor‑
muitas surpresas. tamento colaborativo das equipes; redução das
Finalmente gostaria de adicionar mais um taxas de erros clínicos das equipes dos depar‑
integrante na equipe: o paciente, o usuário do tamentos de emergência; melhoria no geren‑
serviço de saúde. Aqui no Brasil, como no meu ciamento do cuidado às vítimas de violência
país, o Uruguai, já faz algum tempo que existe a doméstica; melhora das competências de saúde
fgura do doutor Google. O paciente consulta o mental relacionadas ao atendimento e à entrega
site de buscas e vem já sabendo alguma coisa a do cuidado ao paciente. Esses pontos são os que
respeito do que lhe afige. E isso vai acontecer aparecem na Cochrane Review, que tem critérios
cada vez mais. Mas não é só isso: o paciente tam‑ muito restritivos, como vocês sabem. Essa expe‑
bém tem direitos cada vez mais claros. Em mui‑ riência da educação interprofssional pode ser
tos países do mundo está se formando um mo‑ muito útil e valiosa não só para a área da Saúde,
vimento dos direitos dos pacientes: os próprios mas para outras áreas também. Alguns desses
usuários sabem demandar e sabem reconhecer resultados se basearam no estudo de um aciden‑
seus direitos. E aí ganha cada vez mais força um te aéreo que mostrou como a falta de comunica‑
conjunto de visões: medicina centrada no pa‑ ção e a falta de funcionamento da equipe podem
ciente, atenção guiada pelo paciente (patient levar a um grave acidente. Todos sabiam o que
driven health care), contratos terapêuticos, estava acontecendo, mas não falavam uns com
cuidados compartilhados, escola de pacientes, os outros porque, supostamente, o piloto sabe o
sistemas de saúde baseados nos usuários, etc.. que tem que fazer.
Todas essas denominações estão mostrando Temos aqui um slide, cedido por Marina
uma tendência que é a de que o paciente e o Peduzzi e Jaqueline Alcântara, que menciona
usuário vão fazer parte, cada vez mais, das equi‑ experiências exitosas aqui no Brasil: Universi‑
pes interprofssionais. dade Federal de São Paulo (UNIFESP) – campus
Penso que todos os técnicos, todos os pro‑ Baixada Santista, em 2006; Universidade Fede‑
fssionais têm que começar a entender que esse ral da Bahia (UFBA) – bacharelado interdisci‑
fenômeno está se tornando uma realidade; esse plinar (BIS), em 2006; Universidade Federal do
paciente ativo deve deixar de ser encarado como Sul da Bahia (UFSB) e Universidade Federal do
inimigo e passar a ser parte integrante da equi‑ Recôncavo Baiano (UFRB), que têm bacharelado
pe. Uma colega nossa, de uma universidade nos interdisciplinar (BIS 2014 e BIS 2008, respecti‑
Estados Unidos, sempre diz: “Educamos sepa‑ vamente); cursos de graduação em Saúde Cole‑
radamente, e depois, no dia seguinte, dizemos: tiva (ABRASCO – Associação Brasileira de Saúde
agora vocês são uma equipe!”. O que vai acon‑ Coletiva, e Universidades Federais); UNESP –
tecer? Uma Cochrane Review de 2009 conclui campus Botucatu (Integração Universidade Saú‑
que a experiência da educação interprofssional de Comunidade – IUSC, desde 2003 como pro‑
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