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SIMPÓSIO 2 MESA 3 PALESTRANTE 3
DR FÉLIX RIGOLI
se o conhecimento, o trabalho e a demanda são tem interesse em Saúde, e não só do profssional
complexos, também as respostas serão comple‑ de Saúde. Estamos falando cada vez mais sobre a
xas; difcilmente um único profssional poderá educação interprofssional (EIP). Por enquanto
reunir um pacote de competências. Até hoje, no não existe um sistema formal interprofssional
mundo inteiro, os Estados reconhecem um tí‑ de educação, mas há momentos em que dois ou
tulo profssional como se fosse a certifcação da mais profssionais aprendem um com o outro;
existência de um pacote de competências adap‑ aprendem a aprimorar a colaboração, a coope‑
tadas para responder a uma demanda; hoje essa ração em relação à qualidade da Saúde ou à qua‑
demanda é muito mais complexa e difcilmente lidade do cuidado. Reeves diz que os membros
será atendida por um único perfl. de uma profssão aprendem juntos, de forma in‑
Quero começar com uma frase de Carlos terativa, com o explícito propósito de melhorar
Matus, que foi um planejador chileno muito a colaboração interprofssional e o bem ‑estar
conhecido nos anos de 1970 e 1980, que diz: “A dos usuários e da população. Temos várias def‑
realidade tem problemas, a universidade tem nições dentro desses conceitos. São momentos,
departamentos e o governo tem ministérios”. E são ocasiões; é preciso que haja várias profssões
ele seguia perguntando: “E quem dá conta dos atuando interativamente. O fato de médicos, en‑
problemas?”. Eu agregaria também: as pessoas fermeiros e fsioterapeutas estarem na mesma
têm profssões; determinado problema é de uma sala, ou na mesma enfermaria, não faz com que
profssão? Claramente que não. Por exemplo: haja uma relação interprofssional entre eles.
certamente o Ministério da Saúde está cada vez Tem que existir uma relação interativa entre
mais longe de poder dar conta de todos os pro‑ eles e o propósito comum deve ser o de aprender
blemas da Saúde. a colaborar. É uma relação um pouco diferen‑
Digamos que o principal problema dos te da que chamamos interdisciplinar, que tem
prontos ‑socorros brasileiros seja o acidente mais a ver com as áreas de conhecimento.
de motocicleta, que não é, propriamente, um Uma outra frase que eu acho muito interes‑
problema da Saúde. Podemos tentar resolver sante diz: “Na verdade, uma disciplina acadêmi‑
tendo melhores especialistas em trauma. Mas ca é um compromisso coletivo de entrar em um
alguém vai ter que buscar, por exemplo, incen‑ conjunto de desacordos limitados”, ou seja, as
tivos fscais para a compra de carros ou treina‑ pessoas que trabalham na disciplina estão todas,
mento em segurança. digamos, desaprovando umas às outras com re‑
Quero travar essa conversa para tentar en‑ lação a um determinado campo. Esse é um cam‑
tender a complexidade do problema, não a com‑ po de desacordo; mas há um acordo de entrar
plexidade no sentido banal – de que são muito nesse campo. Portanto, a relação interdiscipli‑
difíceis – mas no sentido de que há muitos sis‑ nar tem a ver com sair um pouco desse campo de
temas imbricados, sobrepostos. Essa complexi‑ desacordos pactuados e entrar em um intercâm‑
dade leva, também, a uma demanda diferente do bio com outros. No fnal das contas, voltando à
profssionalismo e do conjunto das pessoas que frase original de Carlos Matus, a realidade não
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