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SIMPÓSIO 2 MESA 3 PALESTRANTE 3
DR FÉLIX RIGOLI
de são alheios, são estranhos uns aos outros até ao menos nominalmente, 35 mil equipes de Saú‑
um determinado ponto. Um livro maravilhoso, de multiprofssional ou interprofssional, não sei
que os profssionais da área de educação médi‑ como qualifcá ‑las. Elas são uma oportunidade
ca devem ler, é o The Physician (O Físico, título muito grande para a discussão do tema da inter‑
em português), de Noah Gordon. Ele mostra profssionalidade. Temos um laboratório natu‑
como um profssional é alheio, é estranho (no ral. Temos 35 mil casos em que algumas dessas
sentido de alien, alienígena) ao outro. Fala sobre interações, por força estrutural, têm que estar
aquela sensação que se tem quando se vê uma acontecendo. Temos que saber o que está acon‑
pessoa diferente. É exótico, muitas vezes, por‑ tecendo com elas, o que está havendo nos lugares
que não se sabe quais são os conhecimentos que em que atuam, como funcionam, principalmente
o outro profssional tem, qual é o papel que ele agora com o advento do Programa Mais Médicos.
desempenha e quais são as responsabilidades Temos um experimento natural de introdução
inerentes a essa profssão. E, de novo, esse não de 13 ou 14 mil profssionais, que necessaria‑
é só um problema interprofssional, mas existe mente são exóticos, no sentido de que vêm de
também dentro da mesma profssão. Às vezes, lugares diferentes e não falam a mesma língua.
O fato de as pessoas se juntarem não as transforma em
equipe, em um grupo de colaboração. A colaboração
requer algumas técnicas, direcionamentos; não acontece
só porque as pessoas estão sentadas juntas
quando falo em relação interprofssional, até É muito importante verifcar esse fenômeno do
me sinto um pouco desconfortável porque não ponto de vista da cooperação interequipe, que
sei se parece claro que o oftalmologista e o psi‑ tem como foco, de um lado, a comunicação e, do
quiatra são tão interprofssionais como um mé‑ outro, a orientação para olhar a necessidade do
dico e um fsioterapeuta. Não é um problema de paciente. O nosso trabalho mostra muito clara‑
ser ou não médico. A profssão é um conjunto mente que, às vezes, as coisas mais simples não
de competências que, às vezes, estão muito dis‑ são feitas, impedindo que a comunicação se es‑
tantes das competências de outra. O sentimen‑ tabeleça. Por exemplo, uma equipe não pode
to de exotismo, de alienação, sen tir ‑se alheio funcionar se as pessoas não conhecem os nomes
de outra profssão cria, claramente, um proble‑ umas das outras. Para que a comunicação exista,
ma de comunicação. cada pessoa da equipe deve conhecer o local em
Temos, também, que perguntar se existem que trabalham os demais membros, em que par‑
realmente, aqui no Brasil, equipes de Saúde. A te da organização trabalham, os papéis que cada
esse propósito, vou falar aqui a respeito das equi‑ um desempenha na equipe, a divisão do traba‑
pes de Saúde da Família (PSF). Hoje o Brasil tem, lho, o que cada um sabe fazer e, fnalmente, se as
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