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SIMPÓSIO 2 MESA 3 PALESTRANTE 3
DR FÉLIX RIGOLI
está separada em disciplinas. Na verdade, a re‑ fssão. A atividade colaborativa parece ser um
lação interdisciplinar é uma espécie de religião; fenômeno evolutivo, ou seja, há uma tendência
é preciso religar as coisas que estavam juntas e geral à colaboração, mas não é um fenômeno
que, artifcialmente, foram separadas, mas que que se dá no começo.
têm, entre si, uma unidade. Vamos falar agora sobre a comunicação en‑
Gostaria de explicar um pouco mais, porque tre os membros das equipes. Outro dia estava
é complexo, usando o conceito de um epistemó‑ comentando uma publicação da revista Scien
logo chamado Edgar Morin, que diz que uma ce: como possivelmente a comunicação entre as
das possíveis representações de um fenômeno pessoas determinou a extinção de espécies há 10
interdisciplinar é um holograma, onde todos os mil, 15 mil anos. Os grandes mamíferos se extin‑
pontos de um espaço tridimensional estão jun‑ guem ao mesmo tempo em que começam a apa‑
tos e representados. Um colega português me recer signos de linguagem. Parece que quando
disse há pouco tempo que sua consulta em um as pessoas não podem falar umas com as outras,
centro de saúde familiar em Estoril é um holo‑ não podem se comunicar signifcativamente
grama do sistema de saúde português: aparecem umas com as outras, não podem executar tarefas
o problema dos medicamentos, o problema da conjuntas. Quando começam a se comunicar, co‑
formação médica, do fnanciamento do sistema, meçam a poder, por exemplo, matar um mamute
a questão das condições crônicas, etc. Cada fato, com a ajuda de 15, 20 pessoas. Parece que foi isso
cada momento é um holograma dos sistemas o que aconteceu, inclusive aqui nas Américas.
e, por isso, é complexo. Temos que desvendar o Temos que pensar expandindo esse con‑
conjunto que está atrás. ceito até os dias de hoje. Como apressamos essa
Queria falar também sobre outro aspecto colaboração? Como apressamos esse fenôme‑
que é o problema da colaboração. Quando usa‑ no evolutivo e criamos melhores formas de ser
mos as palavras “interprofssional” ou “inter‑ colaborativo, de melhorar o trabalho conjun‑
disciplinar” estamos querendo falar, do ponto to? Sabemos que não é fácil. Para apressar essa
de vista das convenções de linguagem, em ca‑ evolução poderíamos ter três focos sobrepostos
racterísticas de colaboração. Usamos as pala‑ (que são a essência da educação interprofs‑
vras “multiprofssional” ou “multidisciplinar” sional): tratar de preparar os indivíduos para a
quando a característica é de justaposição. O colaboração; tratar de estimular mais colabo‑
fato de as pessoas se juntarem não as transfor‑ ração entre os membros do grupo; colocar um
ma em equipe, em um grupo de colaboração. A foco na melhoria dos serviços e na qualidade do
colaboração requer algumas técnicas, requer al‑ cuidado. O interprofssional é, portanto, com‑
guns direcionamentos; não acontece só porque plementar ao profssional. Não pensamos que o
as pessoas estão sentadas juntas. Esse não é um interprofssional tenha que diluir o profssional;
problema exclusivo da relação interprofssio‑ tem que ser uma camada acima do profssional.
nal. Os colegas que estão aqui sabem que é di‑ A colaboração tem que ser uma habilidade. É
fícil obter a colaboração dentro da própria pro‑ preciso reconhecer que os profssionais de Saú‑
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