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SIMPÓSIO 2 MESA 4 PALESTRANTE 2
PROF DR MÁRIO SCHEFFER
os lugares ao mesmo tempo; ele trabalha para com relação ao mercado dos planos de saúde, que
múltiplos pagadores, está em vários locais de cresceu artifcialmente e não está entregando aos
trabalho, porque o nosso sistema de saúde é as‑ seus clientes aquilo que prometeu. Depois de 25
sim estruturado. Todas as evidências mostram anos de existência do SUS – que foi instituído na
que os custos administrativos e assistenciais Constituição Federal de 1988 – os sinais estão to‑
desse sistema são muito altos, o que interfere talmente trocados. O propósito era o de alcançar
muito no acesso aos médicos. O médico faz par‑ um sistema único de qualidade universal, mas pa‑
te desse sistema, que é uma jabuticaba; é um rece que isso não se concretizou. O sinal é de um
sistema público universal, com uma estrutura sistema subfnanciado, sem o aporte de recursos
de predomínio de gastos privados. E isso é mo‑ necessários para aumentar a rede pública, em ex‑
tivo de desigualdades, de falta de médicos e de tensão de cobertura e/ou em qualidade. Estamos
escassez desses profssionais. Quem depende distantes de vislumbrar um sistema de todos os
exclusivamente do SUS tem apenas duas con‑ brasileiros, como são os sistemas universais pro‑
sultas e meia por ano; quem tem plano de saúde priamente ditos, nos quais nos espelhamos, como
faz sete consultas, em média, e tem quatro vezes o canadense, o inglês e o espanhol.
mais médicos à sua disposição. Esse é o pior dos E fca aqui a pergunta: se vamos apostar num
mundos. O dado mais recente, que leva em con‑ sistema de saúde predominantemente priva‑
ta o fnanciamento da saúde per capita, mostra do – que é o que está parecendo, pois o mercado
que temos um baixo investimento na Saúde. Te‑ dos planos de saúde está crescendo 10% ao ano –
mos mais recursos privados do que públicos en‑ como aceitar que 50 milhões de brasileiros sejam
volvidos, e isso é totalmente incompatível com mal atendidos por esse sistema? Se o sistema pri‑
o sistema universal. Os sistemas universais são vado fosse devidamente regulamentado e o siste‑
aqueles nos quais 70% ou 80% dos seus recursos ma público devidamente fnanciado, ele seria, de
são públicos. Os dados indicam que o SUS tem fato, suplementar. Vivemos uma inversão e essa
R$ 45 por pessoa, por mês, e os planos de saúde escolha terminou em fracassos retumbantes; ge‑
privados têm R$ 160. É óbvio que isso infuencia. rou sistemas caros e excludentes, como também
O médico é peça ‑chave desse sistema, que é es‑ acontece nos Estados Unidos, na Colômbia e no
tratifcado, segmentado. Chile. Se não discutirmos os rumos do nosso sis‑
O fato é que hoje ninguém está sa‑
tisfeito com a Saúde no Brasil. Temos As especialidades com mais jovens
uma série histórica de pesquisas do Da‑
tafolha, de 2003 até hoje, e através delas são a Clínica Médica, a Medicina da
podemos ver que está crescendo a insa‑ Família, a Infectologia e a Cirurgia Geral
tisfação generalizada com a Saúde. En‑
tre as pausas difusas das manifestações de junho tema de saúde, talvez a discussão sobre determi‑
de 2013, a população expressou o seu sentimento nada profssão, seja de enfermeiro ou de médico,
de frustração não só para com o SUS, mas também fque totalmente descolada da realidade.
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