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SIMPÓSIO 3 MESA 4 PALESTRANTE 1


ENG DAURIO SPERANZINI JR


não temos processos produtivos nacionalizados, Eu vou dar um dado: se excluirmos os dez
eu acho que temos de identifcar subsegmentos. clientes mais importantes, que eu considero os
Concordo que, não por conta de materiais mais clientes ‑referência em termos de volume, das
nobres, mas por conta da complexidade da pro­ vendas no Brasil do trimestre passado, veremos
dução e de sua escala, é quase impossível produ­ que 74% das vendas de ressonância magnéti­
zirmos ainda no Brasil determinados subcompo­ ca, aquela mesma que tem os subcomponentes
nentes de algumas máquinas, como o magneto mais complexos, foram feitas para regiões emer­
dos equipamentos de ressonância magnética. Há gentes dentro do Brasil. Regiões emergentes são
duas ou três fábricas no mundo, portanto ainda consideradas regiões em que nós não temos ne­
não é possível. Mas, de qualquer
forma, e respeitando a política in­ A inovação deve estar em qualquer lugar.
dustrial brasileira, as empresas ini­ Temos aqui algumas sugestões de caminhos
ciaram um Processo Produtivo Bá­ de inovação que podem ser via tecnológica,
sico (PPB). A primeira iniciou em
2006, e as outras multinacionais se­ mas principalmente de gestão.
guiram esse processo, e o índice de
conteúdo nacional vem sendo incrementado gra­ nhum capital de Estado, e que não estão no eixo
dativamente todo ano para determinados equi­ Rio ‑São Paulo, o que signifca importante aces­
pamentos e tecnologias. Vai ser muito difícil che­ so. Há muitas cidades do interior do Maranhão,
gar a índices superiores a 40%, 50%. No caso das do Piauí, comprando ressonância magnética.
máquinas de ressonância, esse subcomponente Lógico que isso não vai resolver o problema de
que citei, especifcamente, domina praticamente descentralização total, mas ajuda, principal­
40% do valor total do equipamento. Esses casos mente em termos de diagnóstico por imagem.
talvez tenham de ser tomados como exceções. Portanto, essas são algumas informações que
Agora eu queria reforçar a forma importan­ podem recompor um pouco esse quadro, mas
te como esse processo se deu aqui no Brasil. Ele eu gostaria de fazer uma provocação fugindo da
não é perfeito, mas foi iniciado e tem trazido um história de tecnologia puramente simples, no
benefício muito importante para o território bra­ que diz respeito a equipamentos.
sileiro. Inicialmente, a montagem era nacional Quero falar um pouquinho do Sistema Único
e depois, com a nacionalização de subconjuntos de Saúde (SUS) e da importância do paciente den­
na cadeia produtiva local, e com algum conteúdo tro dele. Hoje, e de uma forma muito rápida, os pa­
de produção nacional, as empresas produtoras cientes estão no centro dessa história e começam
começaram a abrir a possibilidade para os seus a querer ter uma atenção muito mais especializa­
clientes até de acesso a fnanciamentos, via FI­ da, eles têm acesso via internet a todo tipo de in­
NAME (Financiamento de Máquinas e Equipa­ formação e começam a cobrar muito mais de todo
mentos do BNDES). Esses produtos passaram a o Sistema de Saúde; e, enquanto isso, percebemos
ser considerados como produtos nacionais. que os hospitais públicos buscam de uma ma­

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