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SIMPÓSIO 3 MESA 2 PALESTRANTE 2
DR EDUARDO PERILLO
o ambiente econômico muito hostil para o de dutiva que tem a pesquisa, o desenvolvimento,
senvolvimento e a atividade industrial, com de a marca, o marketing, tudo isso que tem muito
semprego, com queda da atividade da indústria. mais valor agregado. A parte mais nobre do pro
A saúde, aliás, vem escapando disso. É um dos cesso produtivo acaba fcando com os países que
exemplos em que a atividade se mantém, apesar detêm o processo inovador, o conhecimento, e
desse ambiente muito hostil e desfavorável. eles são muito ciosos em partilhar esse conheci
As empresas, por causa dessas difculdades mento e permitir que seja transferido pra outro
todas, têm pouco interesse em investir em capi país. De uma maneira geral, eles querem vender
tal fxo, em fazer fábrica nova. De uma maneira o produto e não querem vender o processo, ou
geral, os investimentos estão ocorrendo, quan informar como é que se faz e transferir o conhe
do se dão, em maquinário para suprir as neces cimento inovador.
sidades de linhas de montagem já existentes, ou Isso fcou muito claro, por exemplo, nas po
linhas de produção já existentes, ou ampliação líticas que o governo brasileiro vem adotando no
das mesmas. Isso quer dizer que não tem pro reaparelhamento das instituições de defesa. No
duto novo, inovador, sendo produzido. O que projeto do FX2 (programa de reequipamento e
signifca que as empresas, para sobreviver, não modernização da frota de aeronaves militares
estão tendo estímulos sufcientes para buscar supersônicas da FAB), o Brasil não se limitou
inovação, e o que elas fazem é copiar os produtos a comprar o equipamento (aeronaves). Ele fez
já existentes no planeta, aquilo que chamamos questão de que, no processo de venda dos aviões,
de imitação tecnológica: eu produzo porque eu viesse junto o que no jargão técnico se chama of
sei que vai ter mercado, e se eu conseguir baixar set, ou seja, a contrapartida técnica para trans
custo eu terei capacidade de venda. ferir tecnologia para que a empresa brasileira,
Uma outra tendência é comprar de tercei junto com o fabricante estrangeiro, produzis
ros, inclusive importar peças e componentes, sem conhecimento que vai ser revertido para
porque às vezes fca mais barato importar os linha de produção. O Brasil não vai comprar só
componentes para montálos aqui do que pro o produto, ele vai comprar também a capacida
duzilos localmente, e isso é muito ruim também de de aprender a desenvolver o produto, e é isso
para a nossa economia. Os países que detêm as que deve ser adotado também na área de saúde.
cadeias globais de valor geralmente permitem Ou seja, não basta comprar o equipamento, nós
que os países em desenvolvimento façam ou temos que comprar junto a capacidade da trans
participem dos pedaços do processo produtivo ferência de tecnologia para as nossas indústrias
que são menos intensivos em conhecimento e e agregar nos produtos brasileiros não só mão
inovação, por exemplo: montagem, logística, deobra, mas tecnologia nacional.
distribuição, fazer o call center... A coisa mais importante é que está havendo
Nada disso tem muita densidade tecnoló um movimento bastante grande junto à OMC
gica e agrega pouco valor ao produto. Enquanto para que a tributação dos bens se faça somente
isso, eles fcam com um pedaço da cadeia pro sobre os componentes industriais dos mesmos.
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