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SIMPÓSIO 3 MESA 2 PALESTRANTE 3


PROFA DRA REGINA SCIVOLETTO


seguintes setores: similares, genéricos e me­ A produção de biofármacos no País é pífa,
dicamentos de referência, com uma grande muito baixa. Mas há um projeto de médio a lon­
predominância dos similares – mais de 50% go prazo, há uma carta de intenções em que em­
são similares, seguidos dos genéricos e depois presas do setor devem investir R$ 1,5 bilhão, com
dos medicamentos de referência. Em 2012, o a ajuda do governo. Para falarmos do que existe
Ministério da Saúde gastou 43% da verba da atualmente como produção de biofármacos, o
área de fármacos para atender 5% do mercado Cristália traz aqui um pouco da sua história. Na
representada pelos biofármacos. Isso significa Figura 2 está a divisão de biotecnologia do Labo­
um déficit tremendo nas contas públicas e um ratório Cristália: há uma planta de laboratório
saco sem fundo, que precisa ser revertido de de pesquisa em biofármacos e uma planta fabril,
alguma forma, e o governo adotou uma série de onde se lida com micro ­organismos e com célu­
políticas no sentido de estimular agora a pro­ las animais. Embora nessa mesma divisão exis­
dução local, de baratear esse custo, diminuir tam essas duas situações, elas são absolutamen­
esse déficit e criar empregos, absorver profis­ te independentes, separadas internamente, não
sionais, etc. se comunicam.
Quando foram feitas as Parcerias Público E há uma planta dedicada exclusivamente
Privadas (PPPs), não houve resultados na área à colagenase, cuja história eu vou contar. Ela
de biofármacos. O Brasil tem uma história: co­ começou na década de 1970, quando a Knoll
meçou, na área de biofármacos, na década de trouxe para o Brasil o Iridux, um produto de uso
1980 com a Biobrás, que foi um sucesso. Ela co­ tópico contendo a enzima colagenase, e logo em
meçou a fabricar insulina humana e, não sei por seguida as empresas nacionais – naquele tempo
que, eu desconheço os motivos, ela foi comprada o Brasil não reconhecia patente – começaram a
por multinacionais, e isso constituiu um atra­ produzir similares em colagenase, e o Cristália
so, um retrocesso doloroso para o País, porque foi uma delas. O primeiro registro da colagenase
nessa compra perderam ­se muitos cérebros na do Cristália é datado de 1979, o segundo de 1981,
área, e aí vivemos um gap – praticamente uma portanto nessa época o Cristália já entrara nessa
ausência – de atividades em biofármacos. área de biofármacos, importando a enzima cola­
Finalmente vieram as Parcerias de Desen­ genase e produzindo o medicamento.
volvimento Produtivo (PDPs), em que o gover­ A indústria nacional, com isso, conseguiu
no agora estimula a formação de bigpharmas uma boa fatia do mercado, que os concorrentes
nacionais dedicadas à produção de biofármacos, multinacionais não gostaram de dividir. E o que
e atualmente nós temos duas: a Bionovis, que eles fzeram? Compraram os produtores da en­
é uma sociedade entre a Aché, a Hipermarcas zima, ou seja, cortaram o oxigênio do paciente.
e a União Química; e a Origin, que foi formada, Muito bem. O Cristália, para não perder seu car­
inicialmente, pela Biolab, Eurofarma, Cristália ro chefe, o que faz? Começa a importar a cepa
e Libbs. Um tempo depois o Cristália saiu, e em do clostridium para produzir, aqui, a enzima, e
seguida, a Libbs. desenvolve, nas suas instalações, um método

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