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SIMPÓSIO 3 MESA 2 PALESTRANTE 2


DR EDUARDO PERILLO


ter tradicionalista (“eu não penso assim”, “sem­ Após Plano Real, nos anos 1990, o País en­
pre foi assim”); ou existe uma atitude proposi­ trou em um processo que requereu a introdução
tal, pensada, para que essas transferências de daquilo que os economistas chamam de tripé
tecnologia ou de conhecimento, transfronteiras, macroeconômico, para a busca do equilíbrio da
não se deem. Ou seja, não é por acaso que isso economia nacional. A indústria acabou entran­
não acontece, há ações de outros players econô­ do em um círculo de usar o corte de custos e a
micos extrafronteira, ou mesmo de interesses simplifcação de processos para manter­se pro­
intrafronteira que não querem esse desenvolvi­ dutiva. O tripé macroeconômico consiste em
mento. Tem a ver com o pedaço da cadeia pro­ taxa de câmbio futuante (quando a taxa de câm­
dutiva que é permitido ter­se dentro de alguns bio varia todo dia, não é fxada, como aconteceu
países. Não é possível ter a cadeia inteira; hoje no início do Plano Real), meta de infação — que
em dia, nas cadeias globalizadas, há pedaços pri­ é o máximo de infação que se quer; e metas de
vilegiados por algumas economias. Então, para superávit primário, que é sobrar dinheiro nas
que a gente consiga correr atrás do prejuízo, cor­ contas governamentais, entre o que o governo
rer junto, precisamos fazer com que os diversos arrecada e aquilo que ele gasta. A pegadinha aqui
atores, os favoráveis e os contrários, sejam ca­ é que o superávit primário não leva em conta os
pazes de ter uma ação orquestrada, e isso não é juros que o governo tem de pagar para abater a
uma coisa simples. dívida, nem leva em conta a desvalorização do
Chegamos na competição via inovação, que dinheiro no tempo.
é a terceira via de produção de políticas indus­ Esse é o tal tripé, que obrigou as empresas a
triais. Se a indústria já está plenamente capaci­ arranjos produtivos com foco em custo, não em
tada a produzir mercadorias triviais ou serviços inovação. Elas estão amarradas a essa metodo­
que são comuns e já estão aí disponíveis a preços logia, mas porque existem situações da econo­
competitivos, a preocupação dela consiste em mia que as obrigam a fazer isso para sobreviver:
competir por custo e não por qualidade, porque juros elevados — nós temos taxas bastante altas
os produtos já são homogêneos. Produzir o mes­ em relação ao restante da economia mundial;
mo já é trivial para ela, a única maneira dela se câmbio valorizado (diz­se que o dólar, hoje por
diferenciar é produzir o novo, o que não é exa­ volta de R$ 2,20 deveria estar em pelo menos R$
tamente simples. Buscar inovação depende de 2,80. Talvez, sem levar em conta a infação nor­
uma série de condicionantes de mercado que te­americana, acima de R$ 3,00). Um dólar caro
não estão presentes, e é por elas que a gente vai inviabiliza a exportação, o importador precisa
ter que brigar. Então eu preciso buscar capaci­ dar mais dólares para o fabricante nacional em
tação das empresas, e consequentemente das troca do produto, e ele consegue preço melhor
pessoas, e também da organização industrial, em outra economia. Então, se o câmbio está so­
que não é perfeita. Signifca abandonar o padrão brevalorizado, está fora do lugar, isso atrapalha
custo, que é para onde a economia brasileira foi muito o esforço exportador das nossas empre­
empurrada por conta do tripé macroeconômico. sas. E uma política fscal restritiva, o que torna

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