Page 226 - SSP
P. 226








SIMPÓSIO 3 MESA 2 PALESTRANTE 2


DR EDUARDO PERILLO


não é preciso agir, só quando há uma disfun­ çar a enxergar qual é o remédio que pode ser uti­
ção, uma “distócia”, como costumamos dizer, é lizado, qual é a política industrial que pode ser
que se justifca a introdução de alguma políti­ utilizada para tentar diminuir o problema.
ca, uma medicina na economia. Curioso é que As pessoas que não tiverem renda não vão
uma intervenção do poder público pode dese­ pagar aluguel, não vão pagar escola, não vão
quilibrar o mercado. A economia da Venezuela: comprar remédio... Então, o desemprego em um
todos os dias há nos jornais exemplos de como setor — no caso estou citando o setor industrial
uma ação governamental pode desmontar uma — afeta todos os demais. O supermercado vai
economia que estava funcionando. Portanto, o vender menos, a farmácia vai vender menos e,
objetivo das políticas industriais é reequilibrar por sua vez, vendendo menos, também vão de­
esse mercado e corrigir essas falhas, e restabe­ sempregar. É preciso uma intervenção para re­
lecer um equilíbrio para que a economia conti­ cuperar o nível de emprego.
nue funcionando. No caso, por exemplo, da concorrência com
Qual é o problema quando ela fca em dis­ produtos importados, na área de dispositivos
função? Por exemplo, nós tivemos uma desa­ médicos temos um paradoxo muito interessan­
celeração crescente da indústria paulista em te. É mais barato comprar o produto importado
2014: no mês de junho ela demitiu cerca de 16 do que o nacional. E os órgãos governamentais e
mil funcionários, no mês de maio foram 12,5 as instituições benefcentes e flantrópicas ado­
mil. O que está acontecendo? As empresas não tam essa prática. Será que é falta de patriotis­
estão sendo capazes de manter esses empre­ mo? Não! É porque é mais barato. Mas qual é o
gos — na maior parte são empregos de qualida­ paradoxo? É que quando o flantrópico compra o
de —, e estão devolvendo esses trabalhadores produto importado ele é isento dos impostos que
para o mercado (o informal provavelmente) no gravam — gravar é aumentar o preço — o produ­
qual buscarão uma recolocação. E é bem pos­ to nacional. Quando o fabricante nacional ven­
sível que encontrem empregos de menor qua­ de para a mesma instituição é ele que recolhe o
lifcação, ou terão que trabalhar no mercado imposto, então na nota fscal constam o preço do
informal. Então teremos de observar como a produto e o valor do imposto. Aí o hospital olha e
economia se comporta no mês de julho . Mas, fala: “Não, é mais barato comprar o importado”.
1
se olharmos para as colunas de economia nos Então, uma política industrial importante seria
jornais, veremos que o mercado está perdendo a isonomia: tratar de maneira igual o produto
dinamismo, parando. importado e o produto nacional.
Nesse caso, o governo tem que ser capaz de Nesse caso, o fabricante nacional precisa
— sinalizado pelos players industriais — come­ mover ações no sentido de sensibilizar o go­
verno para dizer: “Olha, as empresas não estão
conseguindo vender o produto porque elas estão
1 Dados divulgados em setembro de 2014 pelo IBGE apontavam gravadas com o imposto que o importado não
que emprego industrial em São Paulo recuara 5,1% em julho na paga”. Não tivemos sucesso ainda nessa seara.
comparação com igual mês de 2013.
226
   221   222   223   224   225   226   227   228   229   230   231