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SIMPÓSIO 3 MESA 2 PALESTRANTE 2


DR EDUARDO PERILLO


Outra questão é a diferença no acesso ao co­ São sempre ações politicamente decididas.
nhecimento, às informações — que tanto podem Embora elas possam ter caráter técnico, têm
ser de mercado como podem ser de processo, no sempre um peso, uma decisão que é politica­
caso em que a empresa não consegue ter acesso mente mediada, por isso que é importante esse
a processos que permitiriam produzir melhor ou trabalho da sociedade organizada no sentido
mais barato. Um exemplo: o BioBrasil/Fiesp tem de levar esses pleitos pelas vias regulares para
um assento no Conselho de Ciência, Tecnologia as instâncias governamentais. Como é que isso
e Inovação em Saúde, da Secretaria de Estado da pode ser feito? Há várias possibilidades. Uma
Saúde de SP. Ano passado houve o Programa de legislação, como no exemplo dado acima, da
Pesquisa do SUS, o PPSUS — ele tem fnanciamen­ isonomia defendida pelo fabricante nacional:
to parte federal, parte estadual, e traz um rol de mexer com tarifas aduaneiras, diminuir tarifas,
projetos desenvolvidos pelos pesquisadores aqui aumentar tarifas; fornecer juros subsidiados (a
no Estado de São Paulo, inclusive nos institutos taxa de juro de longo prazo do BNDES é subsi­
estaduais de pesquisa. Nós fomos checar o elen­ diada pelo tesouro nacional, hoje está na faixa
co de projetos de pesquisa e observamos que não do 5%, contra a taxa SELIC que está na faixa
havia nenhum relacionado nem com os objetivos dos 11%). O Tesouro arca com a diferença do
estratégicos publicados pelo Ministério da Saúde juro, mas visando o desenvolvimento nacional.
— o Ministério tem objetivos estratégicos que gos­ Isenções tributárias, por exemplo, para impor­
taria fossem pesquisados —, nem com nenhuma tação de máquinas ou de conhecimentos ou de
das necessidades da indústria. Precisamos provo­ processos; socialização do risco, ou seja, garan­
car um casamento entre o interesse nacional, o in­ tir uma proteção ao risco da pesquisa ou ao risco
teresse local do Estado e o interesse das próprias da produção, ou garantir ainda a demanda... Por
indústrias, que são obrigadas ou a não produzir, exemplo, o Exército está produzindo uma classe
porque não têm conhecimento, ou a comprar esse de carros de combate, o Projeto Guarani, um dos
conhecimento pagando royalties para produzir. projetos estratégicos do Exército para garantir
Estamos trabalhando nesse sentido. as nossas fronteiras. Se não houver demanda
Tudo isso para dizer que essa percepção não garantida, ou seja, se o governo não garantir que
é automática, ela deve ser levada aos governos, essa produção não vai parar, nós teremos que
nos três níveis, embora aqui tenhamos de pensar voltar a importar os equipamentos.
mais no governo central, porque o governo tam­ Isso vale para a saúde também. Se eu for
bém não tem sondagens especiais. Algumas agên­ montar uma fábrica de equipamentos de resso­
cias do governo são capazes de detectar essas dis­ nância magnética, para dar um exemplo extre­
torções; outras, cumpre à sociedade, à academia, mo, e não houver garantia de que essa produção
identifcar e levar aos governos para que as ações será absorvida por parte de consumo interno, e
de correção, visando restabelecer o equilíbrio en­ de que haverá facilidade para exportação, a linha
tre o interesse social e o interesse privado, pos­ para. Então produzo uma quantidade e depois,
sam ser adotadas e a economia fua normalmente. se não houver demanda, não garanto que essa li­

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