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SIMPÓSIO 3 MESA 4 PALESTRANTE 3


DR CLÁUDIO MAIEROVITCH PESSANHA HENRIQUES


tecnologia. Mas isso não se dá pela carência de que tem alimentado o Ministério da Saúde com
conhecimento, pela inexistência de tecnologia estudos de custos e efetividade de várias vacinas
para a produção delas, mas pela incapacidade do e vários itens que foram mais recentemente in­
sistema produtivo de suprir essa demanda. corporados, como a do papiloma vírus, ou a va­
Particularmente, no momento em que nós cina da hepatite, de forma que hoje se procura
vivemos, no qual alguns países experimentam trabalhar, mais do que em qualquer momento
uma elevação de renda per capita e há uma in­ anterior da história do PNI, com dados muito
corporação de populações que até algum tempo sólidos em relação às bases científcas e às bases
atrás eram excluídas do Sistema de Saúde, temos econômicas para decisões de incorporação de
um aumento enorme da demanda por vacinas, e vacinas. Temos dois comitês: o Comitê Técnico
insufciência relativa da capacidade produtiva Assessor de Imunizações, que aconselha e sub­
mundial em relação à necessidade. No entanto, sidia o Ministério num momento de decisões
disponibilidade de vacinas não é a única dimen­ para incorporação de imunização, e temos a
são que é pesada num momento de incorpora­ Comissão Nacional de Incorporação de Tecno­
ção. Quando falamos em 35 mil salas de vaci­ logia de Saúde, hoje estabelecida por lei, que faz
nas no Brasil, signifca uma cadeia logística de a apreciação formal da prioridade das incorpo­
suprimento e uma cadeia de profssionais com rações de vacinas, num colegiado de várias áreas
conhecimento e capacidade de interação com a do Ministério da Saúde e com representação do
comunidade, que seja capaz de, uma vez adqui­ Conselho Nacional de Saúde, e do Conselho Fe­
rida a vacina pelo Ministério da Saúde, fazê ‑la deral de Medicina.
chegar aos pontos mais distantes com garantia Posso dizer hoje com tranquilidade que não
das condições de transporte e com garantia das houve uma negativa de incorporação de vaci­
condições em que ela será aplicada, e da orien­ nas por critério orçamentário no Ministério da
tação que será dada à pessoa que recebe a vacina Saúde. Todas aquelas vacinas consideradas im­
ou aos familiares (no caso de uma criança) tam­ portantes e apreciadas quanto às características
bém no tocante ao segmento de doses de reforço técnicas relatadas anteriormente estão hoje in­
que serão aplicadas posteriormente. corporadas ao calendário de imunizações. Isso
Nós vivemos hoje um momento de necessi­ se expressa, evidentemente, nos valores dispen­
dade de desenvolvimento da cadeia produtiva de didos com vacinas no nosso Ministério. Hoje nós
vacinas e também da cadeia logística, capaz de temos um gasto anual de cerca de R$ 2,1 bilhões
levar as vacinas disponíveis de maneira segura e de reais em vacinas. Isso também assinala uma
rápida aos pontos em que são utilizadas. Todas mudança no patamar tecnológico nesse campo.
essas incorporações passam por estudos econô­ Se até cerca de dez anos atrás falávamos de va­
micos, particularmente estudos de custos e efe­ cinas como insumos baratos, simples, de produ­
tividade, e a Faculdade de Medicina da USP tem ção relativamente banal, hoje as vacinas estão
nos ajudado muito nisso. Temos um grupo aqui, na ponta da produção dos medicamentos bio­
da Profa. Dra. Hillegonda Maria Dutilh Novaes, tecnológicos, e isso, evidentemente, tem surtido

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