Page 290 - SSP
P. 290
SIMPÓSIO 3 MESA 4 PALESTRANTE 3
DR CLÁUDIO MAIEROVITCH PESSANHA HENRIQUES
balagem no Brasil. Mas, sim, procurando que sua formalização. Em geral, eles começam com a
a tecnologia da química fna seja incorporada importação das vacinas de um detentor de tec
também na indústria nacional. nologia internacional, o que signifca o início da
São diversas as experiências que têm ilus oferta desse produto para a população brasileira,
trado esse processo traduzido e batizado como atendendo, portanto, à necessidade última, que é
“Processo de Desenvolvimento Produtivo da a oferta do produto, as políticas de prevenção de
Saúde”. Cada uma dessas experiências surge doenças. Existe um calendário de transferência
da parceria da detentora de tecnologia com o gradativa do conhecimento e dos processos pro
laboratório público nacional, em alguns casos dutivos. No exemplo da vacina pneumocócica
com um laboratório privado nacional integrado 10 ‑valente, a vacina que age contra 10 subtipos
a esse processo, com a intermediação e o patro diferentes do pneumococo (Figura 3), esse ca
cínio da gestão pública da saúde brasileira. Es lendário vai até o ano de 2021. O processo de par
sas parcerias têm representado, então, a possi ceria para o desenvolvimento produtivo inclui
bilidade de não apenas oferecer mais produtos a cláusula de que inovações que eventualmen
e, em muitos casos, com vantagens econômicas te vierem a surgir no decorrer do processo, por
para o setor público brasileiro, mas mais do que parte do detentor original da tecnologia, sejam
isso, de viabilizar novos desenvolvimentos a contempladas e transferidas também para o pro
partir das tecnologias incorporadas. dutor nacional. Ou seja, não corremos o risco da
No caso das vacinas, são diversos os exem transferência de uma tecnologia que rapidamen
plos que ilustram esse processo, e muitos deles te entrará em obsolescência, mas sim de uma
representam efetivamente novos conhecimen tecnologia que, uma vez avaliada quanto às suas
tos que passarão a ser plataformas novas para características, deverá ser atualizada e renovada
o desenvolvimento autônomo futuro de outros na medida em que aquele que desenvolve a pes
produtos pelos próprios desenvolvedores nacio quisa original trouxer inovações.
nais. No caso dos laboratórios públicos nacio Cada uma dessas vacinas tem o seu calendá
nais, em particular o Instituto Butantã e o Bio rio próprio acordado com o produtor nacional,
manguinhos da Fiocruz, há uma conexão íntima que inclui o desenvolvimento de diferentes eta
entre os segmentos produtivos dessas institui pas – começando com a importação e passando
ções, a área de ensino, e a área de pesquisa e de por algumas fases mais simples como a enfras
senvolvimento industrial. Na medida em que se cagem, a rotulagem, e a utilização do diluente
incorporam vacinas que têm uma densidade tec nacional – até que se chega ao momento em que
nológica muito diferente daquelas com que está a tecnologia passa a ser de posse integral do pro
vamos acostumados a trabalhar anteriormente, dutor brasileiro e a vacina passa a ser produzida
incorporamos também a possibilidade de desen integralmente aqui. De maneira um pouco dife
volvimento de novos produtos a partir da simi rente da área de medicamentos, em alguns ca
laridade tecnológica com esses já incorporados. sos não se espera uma verticalização completa
Cada um desses processos tem início a partir de da produção. Eu acho que um dos exemplos que
290

