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SIMPÓSIO 3 MESA 1 PALESTRANTE 2


PROF DR JOSÉ FERNANDO PEREZ


cionados aqui com muita propriedade pelo Prof. na Rodovia Anhanguera para Porto Alegre, para
Sérgio Muhlen. Fortaleza... E isso tem de ser transportado não
Na realidade, eu preciso explicar o que é só de forma controlada, mas rastreável, porque
a Recepta: é uma empresa de biotecnologia na precisamos saber no fm do dia que ampola foi
área de saúde humana, que desenvolve anticor­ usada com o paciente lá em Porto Alegre. Na
pos monoclonais e peptídeos, visando o trata­ verdade, nem sabemos o nome do paciente, mas
mento do câncer. Eu não vou me alongar muito sabemos que o paciente X, Y ou Z usou aquela
sobre a natureza dessas drogas, mas o importan­ ampola que foi transportada de forma controla­
te, a característica fundamental delas, é que são da e documentada.
terapias direcionadas. São moléculas, são pro­ É importante dizer isso, porque ao criar uma
teínas ou fragmentos de proteínas que se ligam empresa você não precisa ter toda a infraestru­
a alvos específcos, e aí a partir daí desenvolvem tura, mas precisa ter controle sobre todos esses
uma certa ação. aspectos do processo, e isso é muito sofsticado.
A primeira pergunta é: Por que acredita­ Mas existe essa infraestrutura que pode ser mo­
mos que era possível fazer um projeto desse bilizada, existem as Clinical Research Organiza­
no Brasil? Por que mergulhei de corpo e alma tions (CROs), que são mais de uma dúzia no país
nisso? Em primeiro lugar, porque há algumas e fazem os testes clínicos. Elas são importantes
vantagens competitivas: existe uma infraes­ porque é necessário ter certeza de que as insta­
trutura de serviços interessante no país, uma lações hospitalares são adequadas, é preciso fa­
infraestrutura de serviços básica.
Existe competência, um sistema A Recepta foi criada exatamente por uma
científco construído ao longo dos parceria que começou com o Instituto Ludwig,
anos, com nossa pós ­graduação. O
Brasil realmente tem uma produ­ que já tinha uma parceria com a FAPESP, em
ção científca muito grande, que um projeto do genoma do câncer
pode ser utilizada e mobilizada
para esse tipo de fnalidade. zer uma auditoria nas instalações, saber que tem
Há excelentes instalações hospitalares que equipe, que a droga será estocada adequadamen­
fazem testes clínicos, e muitos estão sendo fei­ te, e que de fato os prontuários sejam registrados
tos no Brasil, mas, principalmente, há multi­ adequadamente, porque, como eu disse, tudo
nacionais que fazem testes clínicos e isso tem isso tem de ser controlado e rastreável.
ajudado a criar uma infraestrutura de serviços Há mais de uma dúzia de CROs no país, e falei
muito importante, porque os hospitais estão com várias delas. O que eu ouvia era: “Professor, é
equipados, há técnicos, há médicos com compe­ uma emoção falar sobre teste clínico em portu­
tência, há empresas de logística para transportar guês”, porque testes clínicos são feitos em inglês.
– falo aqui do caso concreto, porque precisamos Inclusive há outro desafo importante, uma com­
transportar droga que fca estocada no depósito petência que falta muito, que é saber escrever o

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