Page 192 - SSP
P. 192








SIMPÓSIO 3 MESA 1 PALESTRANTE 1


PROF DR SÉRGIO SANTOS MUHLEN


– acertadamente, na minha avaliação pessoal – e projetos de boa qualidade para poder usufruir
que tem, sim, conseguido alavancar iniciativas de das subvenções governamentais que começam
projetos capazes, ainda em caráter experimental, a existir de uma forma cada vez mais frequente.
com detalhes ainda sendo burilados, de resolver Ou seja, existe dinheiro para fnanciar a inova­
problemas que antes pareciam insolúveis. Antes ção, existe uma demanda claramente estabe­
mantínhamos uma dependência eterna de parcei­ lecida e existe potencial humano e às vezes até
ros estrangeiros que não têm os mesmos objetivos potencial material. Como é que a gente não con­
principais que a nossa demanda. segue coordenar isso tudo? Percebem? Então,
Isso permitiu adensar a cadeia produtiva e isso é uma coisa que tem de ser resolvida, por­
fortalecer empresas nacionais, o que é diferen­ que senão a gente fca patinando em torno das
te de nomes pouco louváveis como “reserva de nossas próprias competências.
mercado”. Trata ­se simplesmente de respon­ E agora o terceiro item de desafo: fnancia­
sabilizar um produtor local com uma demanda mento. Quer dizer, pesquisa, desenvolvimento e
para que ele tenha certeza de que vai investir inovação custam caro, não adianta imaginar que a
sem os riscos tradicionais do mercado. Há en­ gente não vai ter que gastar dinheiro com isso, to­
traves burocráticos que precisariam ser mais dos os segmentos vão. O governo é o principal mo­
azeitados e revistos, mas eu não dou detalhes tor desses fnanciamentos, e no meu modo de ver
porque eu não sou um entendido disso. ele já está se estruturando através de programas.
Uma coisa defnitivamente curiosa é que Há vários órgãos de fomento, instituições, cada
as culturas são diferentes. Às vezes é mais fácil um com uma vocação, como FINEP e BNDES para
grandes projetos com relação à em­

O que a gente tem hoje como principal presa; CNPq e Capes um pouco mais
ferramenta motivadora dos processos de voltados à formação de recursos hu­
manos; existem ações interministe­
inovação? O poder de compra do Estado riais superimportantes, o Ministério

da Ciência e Tecnologia e o Ministé­
você se entender com um pesquisador, mesmo rio da Saúde têm dado mostra de maturidade e de
que ele fale uma língua diferente, do que com um grande empenho em conseguir a Lei de Inovação.
empresário, que fala a mesma língua, mas que na As encomendas tecnológicas são outra ferramenta
verdade ainda não está tão afnado quanto seria muito poderosa para alavancar esses setores críti­
necessário. Mas acho que hoje já estamos melho­ cos e bem defnidos da demanda. E, por fm, fnan­
res do que estivemos no passado. Como eu falei, ciamento de parceiros empresariais, quer dizer,
não vou entrar no mérito de como as coisas acon­ uma cultura na qual haja participação de recurso
tecem, mas existem e a gente precisa superar. das empresas também.
Outra questão são os critérios para habilitar Todos corremos riscos, todos temos a ga­
as empresas no editais de subvenção. De novo, as nhar de alguma forma, mas não é justo que exis­
empresas também têm difculdades de inscrever ta um único pagador. Recursos existem, mas mi­

192
   187   188   189   190   191   192   193   194   195   196   197