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SIMPÓSIO 3 MESA 1 PALESTRANTE 1


PROF DR SÉRGIO SANTOS MUHLEN


E aí começa a lista dos desafos. Resolvi orga­ te. Existem experiências universitárias ao redor do
nizar por tipos de desafos e seriam os seguintes: mundo que mostram que é possível ter entradas e
saídas nesses intermédios entre a admissão na fa­
• recursos humanos, ou seja, formação de culdade e o fnal do curso de graduação que ofere­
gente capacitada; cem para a sociedade produtos humanos com com­
• demanda de mercado, ou seja, como trans­ petências intermediadas, todas elas necessárias.
formar o que é produzido em dinheiro, Mas isso não existe no Brasil. São pacotes
como criar produtos vendáveis; muito fechados e isso precisaria ser fexibilizado.
• fnanciamento, ou seja, quem paga; Por exemplo, dar ênfase maior a cursos de meta­
• problemas de aumento de escala, o que é um lurgia e materiais. Atualmente, eles já existem,
entrave muito grande, ou seja, como trans­ já se produzem engenheiros ou técnicos na área
formar o paper acadêmico em nota fscal. de materiais e metalurgia em particular, mas
Essa é uma das coisas que a gente ainda não a capacidade desse pessoal de se integrar nas
aprendeu a fazer no tamanho da necessida­ áreas de saúde e no setor médico ­odontológico
de que nós temos; não é assegurada. Há algumas experiências bem
• e, por fm, entraves e desafos do ponto de sucedidas, mas a maioria ainda desconhece. En­
vista de gestão empresarial. tão, é necessária uma formação mais interdis­
ciplinar dos nossos pós ­graduandos, mestres e
Em termos de recursos humanos, há neces­ doutores, porque eles vão alavancar o processo
sidade de se fortalecer aquilo que já se faz hoje, de desenvolvimento da inovação.
que é a formação de quadros técnicos para o E, por fm, existe uma demanda de mercado,
setor de desenvolvimento, pesquisa e indústria e ela gera uma pesquisa aplicada. Isso tem um
e inovação. Porém, um foco ainda maior é o ní­ nome, o tech pull, quer dizer, quando a demanda
vel médio, do ensino técnico. Esse é um desafo, caracteriza a oferta do profssional; e aqui no Bra­
porque eu acredito que a base universitária já sil ainda estamos assistindo ainda muito um movi­
está relativamente bem estabelecida, e ela tem mento contrário, é a pesquisa básica que não tem
a competência do tamanho da demanda. Ela um mercado propriamente defnido, ou seja, o tech
está desorganizada em relação a essa demanda, push, ou seja, depois que você já sabe fazer alguma
mas existe formação em número e em qualidade coisa, já sabe resolver um problema, você vai à caça
compatíveis com essa demanda. do problema para ser resolvido. Então, não existe
Mas isso não é verdade para o nível médio, para uma coisa melhor do que a outra, não dá a impres­
o nível técnico; há necessidade de fortalecer esse são de que uma é superior que a outra. O fato é que
ensino técnico e de fexibilizar o ensino de gradua­ são abordagens com custos sociais e econômicos
ção, que no caso do Brasil, como muita gente sabe, diferentes, e é necessário uma coordenação dessas
é bastante estanque. Quer dizer, uma vez passado o duas iniciativas para otimizar o processo, ou seja,
vestibular você não é nada até completar 5 anos de se produzir o mais rápido possível aquilo que se
engenharia, 6 anos de medicina, e assim por dian­ precisa mais urgentemente possível.

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