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SIMPÓSIO 3 MESA 1 PALESTRANTE 1
PROF DR SÉRGIO SANTOS MUHLEN
O outro desafo, na área de recursos huma mais clara do setor produtivo, para que ele não te
nos, seria absorver e fxar os recursos humanos nha de aprender tudo de novo dentro da empresa.
para acelerar a inovação, porque existe uma Isso é uma perda de tempo e de dinheiro.
descoordenação muito grande – e o pessoal de Ainda há a questão das barreiras burocráti
universidade tem isso muito claro. Jogamos no cas que entram um pouco na linha daquilo que o
mercado todos os anos um certo número de pro Prof. Dr. Jorge Kalil estava falando, das difculda
fssionais que, de uma forma ou de outra, julga des de interação entre as instituições de ciência e
mos estar habilitados para executar as funções. tecnologia, o mercado e as empresas: lentidão ad
Mas não há um feedback claro, ou seja, não se ministrativa para a execução de convênios e ou
formam mais pessoas se a demanda é mais carac tras colaborações, que são os mecanismos que se
terizada, não se formam menos profssionais da pratica hoje em dia. Esses mecanismos são pouco
quela área cuja a demanda do mercado é menor. ágeis, pouco fexíveis; como já foi citado aqui, ain
Então, não existe uma forma de fxação dis da há problemas de titularidade do conhecimen
so, e, em particular, quando se pensa em pesquisa, to e propriedade intelectual daquilo que foi pes
desenvolvimento e inovação nessas áreas estraté quisado. Essas são necessidades que identifquei
gicas, então eu sou realmente partidário a enfati e não tenho solução para tudo isso.
zar a carreira de pesquisadores nas universidades, Mas uma das coisas que eu, como engenhei
que não é a mesma coisa de ser professor. Aqui no ro, advogo fervorosamente é diminuir a distân
Estado de São Paulo temos vários institutos – o cia entre as empresas e as instituições de ciência
Butantã, por exemplo, o Biológico, o Dante Pazza e tecnologia, as universidades, os institutos de
nese, etc. –, públicos e privados, que se dedicam à pesquisa através de incubadoras de empresas,
produção de conhecimento novo, não necessaria núcleos de inovação tecnológica, parques cien
mente de uma maneira estritamente acadêmica. tífcos e tecnológicos, aproximar o processo pro
Há uma série de vícios que resultam na mes dutivo do processo de geração de conhecimento,
cla da carreira de pesquisador com a de professor fazer com que o empresário participe também
e vice versa, mas não vou entrar nesse mérito. O do desenvolvimento científco de soluções, fazer
fato é que nós sofremos esse efeito, e eu digo: um com que o acadêmico participe do processo pro
dos desafos na área de recursos humanos seria dutivo. Uma coisa não caminha sem a outra.
o de produzir pessoas voltadas para a solução de E agora outro tipo de desafo, o de mercado. O
problemas e a ampliação das vagas nesses institu que a gente tem hoje como principal ferramenta
tos. Por exemplo, é preciso haver mais gente tra motivadora dos processos de inovação? O poder de
balhando no Ministério de Ciência e intensifcar compra do Estado. Há pessoas bem mais capacita
programas de estágio e inserção formal nas em das a discorrer sobre isso do que eu, mas sei que te
presas de quem está fnalizando cursos, em parti mos em torno de R$ 12 bilhões anuais, praticados
cular cursos de vertentes tecnológicas e engenha nesse período de 2008 a 2011. É muito dinheiro,
rias, quer dizer, é necessário que um engenheiro então realmente é uma ferramenta poderosíssima
formado no Brasil tenha uma noção um pouco de que o governo brasileiro resolveu lançar mão
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