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SIMPÓSIO 2 MESA 3 PALESTRANTE 1


PROF DR JOSÉ LUIZ GOMES DO AMARAL


ma relação com a formação clínica, que é algo a época de residente, eu compulsivamente fz
totalmente diferente. uma cópia carbonada de todas as anestesias que
Vou contar agora uma outra história pessoal eu havia realizado. Todas, desde as mais simples
que me agrada muito. Eu sou nascido em São até as mais complicadas, enfm, tudo. E eu tinha
Paulo, mas sou de uma família portuguesa e re‑ isso em caixas, então peguei todas aquelas cai‑
solvi obter a nacionalidade portuguesa por uma xas, empacotei e mandei, pedindo para que me
questão sentimental. Já com mais de 50 anos, devolvessem depois. Aí sim, entenderam.
eu disse: “Já sou médico aqui no Brasil, também Isso existe em vários países do mundo e cada
quero ser médico no meu segundo país, no meu vez mais estamos vendo uma série de iniciativas
país de família”. Encaminhei meu currículo para no sentido de atribuir privilégios de realização de
lá, como se esperava que fosse, aí mais ou menos certas intervenções apenas para os médicos que as
um ano se passou no processo de revalidação na executam regularmente. É o caso, por exemplo, de
Universidade de Lisboa (isso já faz uns 15 anos). anestesia em recém ‑nascidos, algo bastante com‑
No fm, eu obtive uma revalidação do diplo‑ plicado e com uma margem muito grande para en‑
ma de medicina, e foram analisadas com cuida‑ ganos. Portanto, se você não faz isso regularmen‑
do as minhas atividades enquanto estudante, o te, fca perigoso, mesmo tendo uma qualifcação
histórico escolar, enfm, ótimo. Aí eu me inscre‑ especializada. Para uma série de procedimentos
vi na Ordem dos Médicos de Portugal e o pas‑ tem ‑se exigido cada vez mais a demonstração de
so seguinte foi o meu título de especialista em regularidade, por isso a ideia de se ter um roadbook
Anestesiologia. Então pediram meu currículo de em que se vai escrevendo o que vai sendo feito é in‑
professor titular na Escola Paulista de Medicina teressante, e é importante manter isso até o fm,
e a princípio a banca achou que era adequado e até o último dia da sua prática profssional.
aprovou, muito bom, mas a resposta ofcial não Há alguns anos, quando eu presidia a Asso‑
vinha. Foi quando me chamaram e disseram: “O ciação Médica Brasileira, fui convidado para di‑
seu currículo é bastante interessante se você se vulgar entre os médicos um projeto de atividade
candidatar para ser professor em uma das fa‑ médica voluntária do Norte do país. Fiquei mui‑
culdades daqui, mas ele não diz quantas aneste‑ to receoso de fazer a divulgação de um projeto
sias para parto normal o senhor fez, só quantas dessa natureza, porque eu não sabia exatamente
anestesias para crianças para serem operadas o que os médicos que atendessem a essa reco‑
de amidalectomia. Até certo ponto, nós temos mendação encontrariam, mas eu achava muito
uma ideia de que o senhor é qualifcado na sua interessante a ideia, o projeto, a iniciativa, en‑
especialidade, mas teses, publicações, orienta‑ tão resolvi me empenhar pessoalmente em di‑
ção, isso não tem absolutamente nada a ver com vulgar. Mas primeiro quis conhecer o projeto. A
a prática clínica, absolutamente nada”. ideia era passar 15 dias na região Norte do Brasil
E é verdade, às vezes tem, mas na maior par‑ fazendo um mutirão de cirurgias oftalmológi‑
te das vezes não tem. Eles então me pediram para cas. Aí eu percebi que a minha formação não era
demonstrar isso, e a minha sorte foi que, desde sufciente: eu sou formado no fnal da década de

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