Page 146 - SSP
P. 146








SIMPÓSIO 2 MESA 3 PALESTRANTE 1


PROF DR JOSÉ LUIZ GOMES DO AMARAL


que isso terminasse naquelas infndáveis dis‑ que vivi na China. Há alguns anos fui convidado
cussões jurídicas, postergando demais o nosso pelo Ministro da Saúde de Taiwan para visitar
projeto. Então resolvemos que quem já tinha o aquele país e ele me perguntou o que eu gostaria
título naquele momento fcaria com ele e levaria de conhecer. Eu disse que gostaria de conhecer
para o resto da vida, mas quem obtivesse o títu‑ um sistema de educação médica e um departa‑
lo daqui para a frente receberia a informação de mento de anestesia, porque essa é a minha área
que sua validade agora é estabelecida, de 5 anos. de atuação, para ver como isso é trabalhado na‑
A partir daí, foi estabelecido um projeto no quele país.
sentido de agregar propostas de educação, em to‑ Para falar sobre educação médica, me colo‑
das as áreas de especialização, que permitissem caram como interlocutor o diretor da principal
a qualquer médico, em qualquer lugar do país, se faculdade de medicina de Taiwan, que era um
professor de gastroenterologia. Ao
lado da docência e da direção da fa‑
Continua sendo uma obrigação ética e moral culdade, ele desempenhava uma ati‑
do médico atualizar -se vidade clínica, sobretudo no campo

da endoscopia digestiva alta. O sis‑
atualizar. Aí o ensino a distância se tornou uma tema de formação contínua naquele país passa
ferramenta muito importante para o médico por atividades desenvolvidas em várias institui‑
estudar e obter os créditos necessários. Nós ca‑ ções, hospitais, clínicas, universidades, associa‑
minhamos assim durante bastante tempo, algo ção médica e assim por diante, e tudo isso vai
como três anos, até que as pressões contrárias, ou para um sistema de acreditação. Portanto, em
seja, as adesões à ideia de que os títulos e certifca‑ função das horas e da qualidade do conteúdo,
dos são um direito adquiridos do médico, fzeram atribui ‑se pesos a cada atividade, o que alimen‑
com que o Conselho Federal de Medicina retro‑ ta um sistema informatizado. Cada médico tem
cedesse e não acompanhasse mais a Associação um cartão como se fosse o nosso cartão de cré‑
Médica Brasileira nesse objetivo, nessa missão. dito – é um cartão de créditos – que tem de ser
Mas, evidentemente, continua sendo uma obri‑ passado na porta do ambiente onde é realizada
gação ética e moral do médico atualizar ‑se e uma a formação no início e no fnal da atividade e as‑
maneira de fazer isso é computar os créditos ob‑ sim são computados os créditos. Ao fnal de seis
tidos no Sistema Nacional de Acreditação a partir anos, quem tem os créditos necessários recebe
dos vários programas existentes. É claro que isso a recertifcação. Quem não tem os créditos ne‑
enfraqueceu muito a iniciativa e hoje nós temos cessários perde a certifcação e perde o emprego.
uma grande quantidade de eventos que, diferen‑ Lá todo mundo trabalha direta ou indireta‑
temente do que aconteceu há cerca de 4 a 5 anos, mente para o governo, porque o governo é que
não são mais inscritos para acreditação. gerencia o principal plano de saúde do país, que
Agora vou contar outra história, muito re‑ abrange 98% dos cidadãos. Portanto, o médico
sumida, mas muito interessante e bem sucedida, deixa de ser reembolsado e perde o direito ao

146
   141   142   143   144   145   146   147   148   149   150   151