Page 141 - SSP
P. 141
SIMPÓSIO 2 MESA 2 PALESTRANTE 2
DR PAULO HENRIQUE D’ ÂNGELO SEIXAS
quiséssemos fazer, será que daria certo? Enfm, na Intensiva Pediátrica, Medicina de Família e
trabalhamos com uma certa orientação nessa Comunidade, Nefrologia, Nefrologia Pediátrica,
direção, mas não houve uma expansão muito Neurologia, Neurocirurgia, Anestesiologia, Clí‑
signifcativa do número de vagas. Também não nica Médica (fundamentalmente para expansão
houve nenhum movimento no sentido de fe‑ dos anos adicionais, e para a entrada da Clínica
char as vagas entendidas como não prioritárias. como pré ‑requisito também), Cirurgia do Trau‑
Houve uma indução em algumas áreas a fm de ma, Cirurgia Pediátrica e Neonatologia.
apurar se esse direcionamento conseguia obter Esse trabalho deu algum resultado. A Clí‑
algum tipo de resultado. Trabalhamos com algo nica teve expansão; a Anestesiologia teve um
em torno de 400 vagas, cerca de 10% das vagas resultado muito signifcativo; a Oncologia res‑
disponíveis para essas áreas. Como é que foram pondeu; a Pediátrica foi e voltou; o Trauma foi
defnidas essas áreas? Evidentemente que não um fracasso; a Cirurgia Pediátrica foi um fra‑
passamos por todas aquelas etapas de cálculos. casso e continuou caindo; Família e Comunida‑
Mas algumas questões tentamos identifcar. Pri‑ de variou muito – a oferta acabou sendo muito
meiro, qual a tendência no perfl epidemiológi‑ maior e conseguiu ampliar a procura, mas a
co: a questão do envelhecimento, das doenças oferta foi muito mais signifcativa; a Medicina
crônico ‑degenerativas e das causas externas. Intensiva teve uma primeira resposta positiva,
Isso apontava para Oncologia e Neurologia nas depois caiu; a Neurocirurgia fcou mais ou me‑
duas pontas (tanto nas causas externas quanto nos estável; a Neurologia, no fnal, acabou su‑
nas crônico ‑degenerativas). Alguns setores exi‑ bindo um pouquinho e a Nefrologia fcou mais
gem incorporação de especialistas, sobretudo na ou menos. Então, em algumas áreas é possível
alta complexidade: para se montar uma CACON trabalhar só fazendo indução. Claro que depois
(Centro de Alta Complexidade em Oncologia), tem toda uma discussão da distribuição dos
por exemplo, é preciso ter oncologista, e não ha‑ profssionais, da inserção desses profssionais
via; para abrir uma UTI tem que ter intensivista, no sistema, etc. Em outras áreas é possível ter
e não existia esse profssional. resposta diante da oferta, mas não é simples.
Assim, em algumas áreas trabalhamos em Medicina Intensivista e Medicina de Família
função de coisas já defnidas. E, em outras, atua‑ e Comunidade têm um perfl muito parecido e
mos em função de políticas estratégicas já co‑ parecem não ser, exatamente, uma tendência
locadas, essencialmente Medicina de Família e de carreira, de vida profssional a longo prazo.
Comunidade. Trabalhamos, também, em algu‑ É um espaço pelo qual as pessoas passam, mas
mas carências referidas pelos gestores, princi‑ se não há perspectiva de trajetória profssional
palmente através do sistema de regulação. Esse é muito difícil fazer indução signifcativa nessas
conjunto de informações orientou o trabalho áreas. Quando observamos o dado da prática de
que fzemos com a distribuição de vagas relativas Medicina Intensiva no CNES, vemos que qua‑
a algumas especialidades: Cancerologia, Cance‑ se 90% da prática não é feita por intensivistas,
rologia Pediátrica, Medicina Intensiva, Medici‑ mas por outros profssionais. Enfm, algumas
141

