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SIMPÓSIO 2 MESA 2 PALESTRANTE 2


DR PAULO HENRIQUE D’ ÂNGELO SEIXAS


Do ponto de vista da inserção profssio‑ estão registrados no CNES. Os profssionais se
nal, fzemos um estudo aqui em São Paulo em dizem especialistas em determinadas áreas ao
2006/2007 com uma amostra representativa CNES, mas quando vamos verifcar dentre eles
do conjunto dos egressos da Residência de São quem tem Residência, encontramos um con‑
Paulo. O que percebemos nesse momento é que junto gigantesco de prática profssional disso‑
havia uma fdelidade muito grande à última ciada da formação especializada. Pode ser que
especialidade cursada; havia o predomínio de menos de 50% tenham, de fato, titulação espe‑
trabalho ligado à pessoa jurídica; um histórico cializada. Diante disso, a questão que se impõe
de 2,5 vínculos profssionais e uma forte vincu‑ é que tipo de prática esses profssionais estão,
lação ao setor privado (cerca de 60% do tempo de fato, fazendo. É uma prática que está relacio‑
dedicado ao setor privado versus 40%
dedicados ao SUS). Existe uma varia‑ Não adianta distribuir faculdade em
ção gigantesca por especialidade. A qualquer lugar, porque só isso não fará com
Cirurgia Plástica, por exemplo, tem
até um pouco mais de participação que o profssional se fxe nesse local
no setor público; já a participação da
Dermatologia no setor público é quase inexis‑ nada, digamos, com os procedimentos mais ge‑
tente em relação ao setor privado. Agora co‑ rais dessas especialidades, ou mais comuns, ou
meçamos a tentar integrar esses dados com as são práticas mais especializadas mesmo? Essa é
informações do CNES (Cadastro Nacional de mais uma questão que as políticas públicas que
Estabelecimentos de Saúde) a fm de saber onde vierem a ser desenvolvidas terão que enfrentar.
estão e o que estão fazendo nossos residentes. A análise foi feita para as diferentes profssões:
Percebemos que há um percentual razoável de por exemplo, como a Anestesiologia no CNES é
profssionais que não aparecem vinculados ao praticada? Dos vínculos que são feitos por anes‑
CNES. É sabido que o CNES não é exatamente tesistas, apenas 30% deles são profssionais com
o melhor instrumento de registro profssional, Residência em anestesia. Fazendo o inverso: o
mas é o único que temos (não de registro pro‑ que faz o anestesista que é especialista segundo
fssional, mas como instrumento que possibili‑ o CNES? Em geral ele faz anestesia (70% traba‑
ta saber onde o profssional esta trabalhando). lham com anestesia). Estendemos esse método
Podemos analisar também os dados do sistema de análise para as demais profssões. Isso tudo
RAIS (Relatório Anual de Informações Sociais) para apurar o que tem a ver titulação com prá‑
e CAJED (Cadastro Geral de Empregados e De‑ tica profssional exercida não só no SUS, mas no
sempregados), que trabalha somente com vín‑ sistema como um todo.
culo formal de trabalho. Temos um percentual Então, algumas questões se impõem: como
alto de especialistas não identifcados no CNES. se relacionam especialidades formais e perfl de
A segunda pergunta, que é a mais preocupante, práticas no SUS? Quais são as consequências para
é com que titulação, como esses profssionais a assistência e para o planejamento? No tocante à

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