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SIMPÓSIO 3 MESA 1 PALESTRANTE 3


PROF DR JOÃO BATISTA CALIXTO


de inovação tecnológica está construído, sob o
ponto de vista de investimento de longo prazo. Nature pesquisa ciência na América do Sul
O Brasil tem avanços de primeiríssimo mundo A íntegra do estudo publicado em junho de
associados a defciências de terceiro mundo. Por 2014 está no link http://www.nature.com/news/
exemplo, estamos formando mais de 13 mil dou­ the-impact-gap-south-america-by-the-num
tores por ano, tivemos 37 mil artigos publicados bers-1.15393
em revistas indexadas em 2013. Isso é muita
coisa. Temos cerca de 2,7% da ciência mundial,
ou seja, é um país pujante, estamos em 13º lugar zamos as áreas, e é por isso que a biotecnologia é
nesse ranking. uma área em que ainda não se tem esses douto­
Somos ainda mais pujantes na agricultu­ res em quantidade.
ra, porque somos o maior produtor de grãos do Da mesma forma, a produção científca está
mundo, quer dizer, isso é ciência, que transfor­ crescendo de forma impressionante. Mas esse
mou a informação em conhecimento; temos conhecimento gerou riqueza? Não só riqueza,
o domínio da exploração de petróleo em águas mas bem ­estar para a população, para a socie­
profundas, que talvez seja tão importante quan­ dade? Esse é uma questão que devemos discutir
to desenvolver medicamento. É a tecnologia. Te­ abertamente. Todo mundo sabe o diagnóstico,
mos a Embraer, que foi citada. Mas se a Embraer mas a gente não consegue avançar muito, e na
tivesse sido regulamentada pela ANVISA, talvez área da saúde essa questão é muito curiosa. Em
o avião fabricado no Brasil nunca tivesse voado. relação aos países da América Latina, o Brasil in­
O que foi feito de importante? A pós­ veste o dobro em P&D. No entanto – esse é um
­graduação. Quer dizer, não há dúvida hoje de dado da revista Nature (veja Quadro 1) – a qua­
que a pós ­graduação foi uma das coisas que o lidade das publicações científcas não cresceu
Brasil mudou nos últimos 30, 40 anos. Em 2012, nessa relação. Uma pesquisa divulgada em junho
tínhamos 5 mil programas de pós ­graduação, pela revista sobre a ciência na América do Sul me
doutorado, mestrado, e mestrado profssional. deixou surpreso: a quantidade de artigos aumen­
Isso não existe em nenhum país da América do tou muito, mas, proporcionalmente à popula­
Sul, isso trouxe uma novidade. Mas a pergunta é: ção, se mantém equivalente a Argentina, Chile e
formamos doutores certos para as áreas certas? Uruguai. Além disso, a Argentina ainda tem mais
Aí temos que discutir, porque vemos que está pesquisadores per capita em sua população e um
faltando pessoal qualifcado em algumas áreas impacto maior de suas pesquisas. O Peru, por sua
de extrema importância para a inovação tecno­ vez, tem mais parcerias internacionais.
lógica. Há muitos doutores acadêmicos e a for­ São dados da Nature, eu não estou ques­
mação vem crescendo exponencialmente, logo tionando. O que está acontecendo com a nossa
vamos chegar a 15 mil doutores formados por ciência? Quer dizer, ela é pujante, forma muitos
ano. É muita gente formada, tem muita especia­ doutores, tem muita publicação, mas quando
lização, mas tem um problema: nós não priori­ você vê essa pesquisa, fca um pouco assustado.

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