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SIMPÓSIO 3 MESA 1 PALESTRANTE 3


PROF DR JOÃO BATISTA CALIXTO


Mas, a maioria, senão quase todas os me­ Outro artigo da Nature mostra um aspecto
dicamentos desenvolvidos, tiveram apoio da fundamental: a universidade que mais inova,
academia. Como se falou aqui, por mais que a que tem mais patentes, é a Universidade da Ca­
empresa tenha cientistas bem treinados, ela lifórnia, sobretudo em biotecnologia. E o artigo
precisa do apoio da academia. A quantidade de mostra ainda que os trabalhos que a universi­
medicamentos registrados cuja pesquisas ori­ dade publica em parceria com a indústria têm o
ginais iniciaram no NIH [National Institute of dobro de citações comparado aos trabalhos que
Health, equivalente ao Ministério da Saúde dos ela produz com verba do NIH. As patentes que
EUA] é impressionante. Isso mostra que preci­ ela licencia são muito mais ligadas a essas par­
samos, sim, estreitar as parcerias entre univer­ cerias do que a outras. E os pesquisadores mais
sidades, institutos de pesquisas e empresas. importantes que ela tem são os que têm essa li­
O trabalho científco que deu origem às es­ gação com a indústria. Então isso nos dá a sen­
tatinas, por exemplo. Os resultados
foram publicados em uma revista Em 2012, tínhamos 5 mil programas de
com fator de impacto menor de 5 – pós ‑graduação, doutorado, mestrado,
então, para aqueles que gostam de profssional. Isso não existe em nenhum
falar de impacto dos trabalhos pu­ país da América do Sul, é uma novidade.
blicados, ela não era uma boa revis­
ta. Mas o trabalho publicado nela Mas a pergunta é: formamos doutores
deu origem às estatinas, ou seja, certos para as áreas certas?
nasceu na universidade, depois a
Merck levou esse conhecimento ao mercado, sação de que aqui o pesquisador não quer sair da
uma inovação radical. zona de conforto, porque a indústria cobra mui­
O Perez foi realmente muito corajoso, mes­ to, a indústria trabalha com tempo rígido para
mo não sendo da área da saúde, porque ele che­ atingir suas metas.
gou para dois empresários e disse: “Vamos en­ E obviamente existe a questão do dinheiro.
trar nessa área”. É reconhecido que o chamado Como foi mencionado, a indústria farmacêutica
vale da morte da inovação de medicamento é é a que mais investe em pesquisa e desenvolvi­
um abismo interminável. A maioria das pesqui­ mento (P&D) em todo o mundo, mais do que a
sas não avança, porque a área é muito regulada; aeronáutica, computadores etc. E esses inves­
as chances de sucesso são pequenas e os riscos timentos são cada vez maiores: em 2010 chega­
muito grandes. Isso signifca o quê? Que te­ ram a US$ 120 bilhões. E cada vez menos drogas
mos de mudar a mentalidade do brasileiro para são lançadas no mercado. É uma contradição, e
apostar em projetos de maior risco e, sobretu­ por quê? Porque as doenças fcaram complexas,
do, de longa maturação. Tudo que envolve ino­ porque as agências regulatórias estão cada vez
vação envolve risco, alguém vai ganhar, alguém mais exigentes e porque a concorrência é muito
vai perder. grande. Um medicamento como a aspirina, por

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