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SIMPÓSIO 3 MESA 1 PALESTRANTE 3


PROF DR JOÃO BATISTA CALIXTO


produtivo, quer dizer, um produto que você tem escola secundária e é aprimorado na universidade
que colocar no mercado, na prateleira da far­ moderna, fato que tem sido extremamente prati­
mácia, por exemplo. No Brasil, ainda não temos cado nas melhores universidades americanas.
muita experiência em inovação tecnológica e, é Assim, os países que inovaram e torna­
por isso que a necessária interação entre as uni­ ram ­se desenvolvidos têm algumas caracte­
versidades e centros de pesquisa com o setor in­ rísticas comuns:
dustrial ainda está na sua infância. Existem pro­
cessos de inovação que são muito simples, que 1 Não é possível ter desenvolvimento susten­
pode ser apenas uma pequena melhoria incre­ tável sem uma ciência básica de qualidade.
mental de um produto, mas, mesmo assim, não 2 Conhecimento gera monopólio, que é a pa­
deixa de ser importante para o avanço industrial tente, e isso é necessário. Quem investe no
e a melhoria da competitividade da empresa, e risco não pode prescindir da patente, porque
aquela denominada radical, que é em geral a que os investidores que estão colocando seu pró­
todos procuram. prio capital dependem do retorno desse capi­
O problema é que o Brasil está fcando assim: tal. É um investimento grande, então há uma
“A inovação é o nosso lema. O único problema é polêmica quanto a essa questão no Brasil que
que nós não a praticamos”. Essa frase pode ser a gente não resolveu totalmente ainda.
aplicada para a maioria das discussões recentes 3 Conhecimento científco é, em sua maioria,
sobre o tema. Não me parece ser uma questão ex­ produzido em universidades, e a universida­
clusivamente de falta de recursos, tem aparente­ de, como o Perez falou, não tem necessidade
mente mais relação com a nossa cultura e as nos­ de fazer a segunda etapa. Ela pode até fazer,
sas difculdades de enfrentar novidades e assumir algumas fazem, mas essa não é a missão prin­
riscos, sobretudo com produtos de longo prazo cipal dela, é a missão dos institutos e das in­
de maturação. O que se nota, é que estamos en­ dústrias. O que falta no Brasil é a união des­
frentando muitas difculdades para mudar essa sas duas forças, para que haja sinergia.
cultura, sobretudo quando deparamos com os as­
pectos regulatórios, caracterizados pela enorme Dados recentes dos BRICS mostram que o
burocracia do Estado, que precisa ser destravada Brasil é um país que tem investido parcela im­
para que a inovação aconteça. portante de seu produto interno bruto em pes­
Nós achamos que isso é novo, mas o nosso quisa e desenvolvimento. Obviamente, o inves­
maior fsiologista, o pai da fsiologia moderna, timento da China é muito maior, a Coreia é a que
Claude Bernard, já dizia há mais de um século que mais investe, mas no Brasil tem crescido muito,
“inovador é aquele que enxerga as coisas igual a sobretudo a partir dos anos 2000.
todo mundo, mas pensa diferente sobre o assun­ Com isso, criamos uma infraestrutura es­
to”. Quer dizer, é a pessoa, não necessariamente pecialmente importante com relação à forma­
um cientista, que está aberto ao processo de ino­ ção de recursos humanos na pós ­graduação, o
vação. Isso já é observado na infância, melhora na que nos sugere que o alicerce para o processo

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