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SIMPÓSIO 3 MESA 1 PALESTRANTE 2


PROF DR JOSÉ FERNANDO PEREZ


O Ludwig aceitou o desafio. Hoje os sócios ram para o Brasil quatro jovens brilhantes, es­
da empresa são os dois investidores ­anjos, o tudantes do MBA, e fzeram um estudo de valo­
Emílio e o Jovelino, o Instituto Ludwig e o BN­ ração para cada um dos produtos da Recepta. É
DES, e eu também tenho uma pequena partici­ muito importante isso, pois quando se vai nego­
pação acionária na empresa. Temos ainda uma ciar a entrada de um novo software, você precisa
parceria importante com o Massachusetts Ins­ saber quanto vale essa compra, e é baseado nes­
titute of Technology (MIT). É uma parceria se tipo de estudo que você faz isso.
importante do ponto de vista do negócio, por­ Até perguntei para o MIT: “Por que vocês
que, queira ou não, estamos falando de um em­ fazem isso de graça?”. “Nós não fazemos de gra­
preendimento e para conseguir um investidor ça. O estudante paga a matrícula, ele paga para
privado é preciso mostrar o retorno que virá, ter essa experiência, isso é parte do processo
senão ele não vai investir. Acho que um dos de­ de aprendizado dele.” Na realidade, foi de graça
safios que temos aqui no Brasil é o de envolver para nós. Pagamos só a passagem aérea de dois
as escolas de administração. Elas estão ausen­ deles, os outros dois vieram com a passagem
tes do processo de inovação que está ocorren­ paga pelo MIT.
do no país. Temos parcerias também com o Institu­
Na FAPESP, no programa de Pesquisa Ino­ to de Biociências, ao todo são 18 hospitais que
vativa em Pequenas Empresas (PIPE), em que participam. Quando eu falei que a gente tem
fnanciamos muitas pequenas empresas, eu vi que mandar droga para o Brasil inteiro, é para
que a maioria delas não estava preparada para o Brasil inteiro mesmo. No mapa do Brasil da
fazer o que se chama de “valoração” (o termo Figura 3 estão os centros onde serão feitos en­
em português para “valuation”), que é saber saios clínicos dos nossos produtos. Um ponto
quanto vale o seu produto. Na verdade, é mais importante é entender o seguinte: o câncer é a
do que isso. No caso de uma droga, você tem segunda causa de morte no país. Vai virar a pri­
que dividir o processo de inovação em etapas: meira. Já é a primeira nos Estados Unidos. O
pré ­clínico, fase 1, fase 2, fase 3, de comerciali­ câncer é uma doença cuja incidência aumenta
zação, e cada uma dessas etapas tem um tempo, com a longevidade da população, porque todo
um custo e uma probabilidade de sucesso e de mundo cuida da hipertensão, cuida do diabetes,
fracasso. Depois você vê qual é o seu mercado e do colesterol, dos hábitos de vida, mas se você
assim por diante. E consegue, ponderando es­ vive mais, então a probabilidade de haver um
ses valores, saber em qualquer momento do seu erro grave no processo de reprodução celular
projeto qual é o valor dele, qual é o valor espera­ aumenta, o que aumenta a incidência de cân­
do matemático, para pelo menos apresentar sua cer. O desafo para o sistema público de saúde
tese ao investidor. e para a balança comercial brasileira será cada
E isso foi feito em parceria com o programa vez maior para o tratamento de câncer. Então,
de MBA do MIT. Eles fazem isso gratuitamente é um mercado que também atrai bastante, há
para empresas do mundo inteiro. Eles manda­ uma oportunidade grande.

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