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SIMPÓSIO 2 MESA 2 PALESTRANTE 1
PROFA DRA MARIA DO PATROCÍNIO NUNES
para garantir a qualidade dos programas refere‑ impera sobre o respeito. Lamento dizer a vocês
‑se aos locais de prática. Quanto mais diversif‑ que visitei inúmeros lugares assim no País.
cado for o local de prática de um programa de Vamos falar agora sobre modelos de profs‑
Residência Médica, independente da especiali‑ sionais, de educadores. Quando falo em precep‑
dade em questão, mais oportunidade se dá para tor estou falando de todos nós aqui que somos
a formação e a compreensão do papel desse es‑ mais experientes e que atuamos na formação de
pecialista na vida e na assistência em saúde. O novos profssionais. O preceptor é a chave para
que vai variar, de acordo com a especialidade, é a solução de várias questões sobre as quais esta‑
o tempo que o residente passará nos diferentes mos falando rapidamente hoje. Percebo agora,
cenários. Estamos falando de infraestrutura e depois de cinco anos olhando o Brasil lá do Pla‑
de recursos humanos. E quando falo de recur‑ nalto, que não está claro para as pessoas o que
sos humanos não estou falando da es‑
pecialidade em treinamento; estou O segredo do sucesso de um programa
falando do porteiro, do atendente, do de Residência Médica passa por pilares
lixeiro, do faxineiro, das pessoas que fundamentais: projeto pedagógico, locais
fazem a recepção dos pacientes, etc. de ensino e prática, o perfl ou modelos,
Ninguém vai chegar bem em uma con‑
sulta se foi mal atendido na recepção, os educadores e, por fm, a gestão
se não foi olhado nos olhos.
Como se vê, a infraestrutura e os recursos é ser um preceptor. Repete ‑se o modelo que foi
humanos são fundamentais. E, ainda, se não vivido; se ele foi hostilizado, colocado o tempo
houver instrumentos e equipamentos também todo sob um terror para aprender, ele repete
não há como garantir a qualidade da formação. esse modelo e não se dá conta de que existem vá‑
Nesse ponto todo mundo pensa nos programas rias pesquisas cientifcas que demonstram que
cirúrgicos: se falta fo não tem cirurgia; se fal‑ é preciso, sim, um certo grau de ansiedade para
ta pinça não tem como operar. Mas os mesmos aprender, mas que o exagero embota qualquer
processos se dão para as diferentes especiali‑ tipo de aprendizado.
dades, incluindo as clínicas. A formação de um Para vocês terem uma ideia do que estou fa‑
especialista é, portanto, bastante complexa; ele lando, temos mais de 900 questionários respon‑
tem que atender e acolher o paciente. Isso tudo didos por médicos residentes do País. Quando
se resume a ambientação; nós precisamos cuidar perguntamos se já sofreram algum tipo de assé‑
desse ambiente e, sobretudo, da relação entre dio moral, eles respondem que sim, num percen‑
as pessoas. É preciso pensar, planejar e cuidar tual elevado. Quando perguntamos por parte de
dessa ambientação na Residência Médica, mas quem, a grande maioria, mais de 80%, diz que foi
também na graduação. É impossível se sentir de um preceptor ou de residente de ano superior,
bem, trabalhar, conviver e muito menos apren‑ ou seja, a cadeia vai se repetir de novo no tempo.
der num ambiente tenso, indigno, onde o medo Por isso nós, como preceptores, temos que co‑
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